Don't come here

If you’re brazilian, don’t come here. If you voted for the president-elected, don’t come here. If you think it’s better to have a dead son than a gay son, don’t come here. If you think it’s OK to kill first and ask later (or perhaps don’t even ask), don’t come here. If you would like to say the things he said, don’t come here. If you think he didn’t really mean what he said, don’t come here. If you can’t understand why the things he said are horrible, don’t come here. If you think he is a myth, don’t come here. If you think he is a saviour, don’t come here.

If you don’t understand the absurdity of living in Canada and voting for him, don’t come here (and please go away if you do). If you don’t understand the hypocrisy of calling a homosexual names while living in a country where homosexual marriage has been legal for more than a decade, don’t come here. If you think everybody should have a gun, don’t come here.

If you are inhuman, don’t come here. If you like authoritarians, don’t come here. If you can’t see he is an authoritarian, don’t come here. If you are absolutely sure of everything and don’t question yourself, don’t come here. If you use (anti)social networks to inform yourself, don’t come here. If you think torture is not a big deal, don’t come here. If you praise a torturer, don’t come here. If you think closing the Congress is a good idea, don’t come here. If you think economics are what really matter, don’t come here. If you can’t feel empathy for another human being who is not related to you, don’t come here. If you try to rationalize your vote for him, try to justify to yourself that he is not as bad as he himself says, don’t come here. If you are not concerned about more deaths, don’t come here.

If you think killing more people is going to improve things, don’t come here. If you think the police should be allowed to kill without suffering any consequences, don’t come here. If you see a dead black person and think “(s)he must have done something wrong, so it’s justified that (s)he was killed”, don’t come here. If you think the slavery should return, don’t come here. If you think indigenous people are lazy and should be killed or have no rights, don’t come here. If you have no regard for our forests and our environment, don’t come here. If you think the climate change is a hoax, don’t come here. If you are just interested in the money, don’t come here.

If you blame PT for everything bad that’s happened to Brazil, don’t come here. If you think people who don’t blame PT for everything bad that’s happened to Brazil are communists, don’t come here. If you think everyone who disagrees with you is a communist, don’t come here. If you think Francis Fukuyama is a communist, don’t come here. If you think you know what communism is, but only read about it on (anti)social networks, don’t come here.

If you are already here, then I have everything against you, and I think you should leave.


Sem Dúvida

Com essa maré de notícias ruins que tá assolando o mundo, fica difícil saber o que dizer quando tento explicar, pra mim mesmo, o que anda acontecendo no Brasil. Não dá pra entender, não dá pra saber, mas mais do que isso: não dá pra acreditar.

Eu poderia falar sobre a burrice generalizada que está brotando nas pessoas, mas aí eu iria soar um pouco presunçoso, e isso não é uma coisa boa, né? Eu também poderia contar um pouco sobre essa raiva silenciosa que eu venho sentindo, essa vontade de que esse monte de idiotas se ferrem de “verde e amarelo”, literalmente, e que sejam eles os perseguidos, e que sejam eles os que sofram na pele aquilo que desejam pros outros. Mas talvez meus ilustres leitores não entendam, e é possível que alguém diga, com razão, que eu não deveria pensar assim.

Por esses motivos, eu resolvi falar de outra coisa. Vou falar sobre a certeza. Nós vivemos num período que a certeza está à solta, e todos já têm as suas. A certeza é tipo o tamagotchi dos anos 90: se você não tem, você tá por fora! Ter certeza é ter estilo.

Às vezes eu me pego boquiaberto com o tanto de certeza que as pessoas possuem! Por exemplo, no caso da política brasileira, existem certezas que são quase dogmáticas. Ou você tem certeza que o Lula de fato é corrupto e roubou tudo aquilo que dizem, ou você tem certeza que o Lula não é corrupto e está sendo vítima de um golpe político-midiático-jurídico-judaico-papal. Não tem certeza sobre o assunto? Não sabe, ou não se sente seguro o suficiente pra opinar? Então vai pra masmorra, e receba pedradas dos dois lados!

Como é que faz pra viver nesse mundo? Como é que faz pra se ter tanta certeza sobre tantas coisas? Sinto que faltei a essa aula no colégio, enquanto todo mundo foi e se certificou de ter certeza.

É. Parece que, sem dúvida, eu acho que certamente não sei de nada.


Hello, Planet Debian

Hey, there. This is long overdue: my entry in Planet Debian! I’m creating this post because, until now, I didn’t have a debian tag in my blog! Well, not anymore.

Stay tunned!


Dreaming...

Back then, I still wanted to write something. Back then, life was different, and I had another view of myself and of others. Back then, my house of cards was still standing, giving the impression that it was safe and sound, that its foundation was solid, and that nothing would shake it. But that was back then.

Right now, I have lost my will and my power to concentrate, to focus on what really matters, because what really matters is still undefined. Right now, things don’t seem to fit as they once did; the vision blurs and I am not so sure what it is that I should be doing but am not. Right now, my self has become another one. Someone that doesn’t remind me of anybody in particular.

Struggling, defining, living and knowing. These are constant words, constant feelings and actions that live with me. Who am I? What do I like? What do I don’t like? Am I good in what I thought I was good? Am I feeling what I think I’m feeling?

This is more than the impostor syndrome. But it is less than the Stockholm syndrome. It’s somewhere in between, or maybe nowhere. When I woke up and decided to keep going, I knew it was a temporary decision. It still is. I still have to find what I missed, or what I have never found. What to do? Too hard of a question to answer right now. Here’s hoping that time will help me with this hard, but long-wanted task.


Combater

Às vezes, é preciso combater. É preciso dizer que o outro está errado, que ele está falando besteira sobre um assunto que não conhece (e não quer conhecer). É preciso dizer o que é ético, o que é certo. É preciso discernir tudo o que é errado e anti-ético, imoral, e que faz mal. É preciso combater o ódio, muitas vezes com amor, outras tantas com força e integridade.

É preciso falar praquele ignorante que ele não sabe o que é Software Livre. É preciso dizer que o Software Livre é muito maior do que o GNU, muito maior do que uma pessoa ou do que suas declarações. É preciso dizer que o ignorante tornou-se troll. É preciso dizer que ele não sabe o que fala, e que deve calar-se. É preciso deixar que ele viva sua adolescência conturbada e por vezes medíocre, mas tomando cuidado para que isso não influencie outras pessoas ignorantes a tornarem-se trolls também. É preciso que esse troll saia do Twitter, saia do BR-[GNU/]Linux, saia dos fóruns movidos a coisas proprietárias; ou talvez seja preciso que ele fique lá, destilando seu ódio, veneno e ignorância para seus semelhantes.

É preciso combater o liberalismo de fachada, que é um veículo para o ódio. É preciso combater o ódio. É preciso combater a ignorância, novamente. É preciso combater o reacionarismo disfarçado de “livre mercado”, é preciso combater a falta de bom senso que ocorre quando se generaliza um partido político por um comportamento, é preciso combater o comportamento, é preciso fazer progresso social sempre, é preciso parar de se importar tanto com aqueles que não se importam.

É preciso combater o pastor ignorante. É preciso combater a ignorância, uma terceira vez. É preciso combater a “trollagem” do pastor, dos fiéis e dos simpatizantes a eles. É preciso combater a onda de “radicalismo conservador” que aflige a todos. É preciso combater a falta de amor ao próximo e o excesso de arrogância. É preciso combater as falsas palavras divinas, as falsas vontades de uma entidade, as falsas aglomerações públicas em torno de um erro.

É preciso combater o apresentador idiota, ignorante e presunçoso. É preciso combater o que se destila de ódio naquele país, porque nem todos têm um soro contra veneno de cobra criada. É preciso combater a ignorância, novamente, porque ela é o caminho mais fácil para o ódio, e o ódio retroalimenta a ignorância num ciclo difícil de ser quebrado. É preciso ensinar a aprender, e aprender a ensinar. É preciso combater a preguiça, essa desculpa tão usada e repetida que chega a dar preguiça de combatê-la. É preciso sair do sofá, mas não para ir para o Twitter ou Facebook; é preciso sair do sofá e ser crítico o suficiente para saber o que se deve fazer, porque não sou eu quem vou falar.