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Don't come here


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If you're brazilian, don't come here. If you voted for the president-elected, don't come here. If you think it's better to have a dead son than a gay son, don't come here. If you think it's OK to kill first and ask later (or perhaps don't even ask), don't come here. If you would like to say the things he said, don't come here. If you think he didn't really mean what he said, don't come here. If you can't understand why the things he said are horrible, don't come here. If you think he is a myth, don't come here. If you think he is a saviour, don't come here.

If you don't understand the absurdity of living in Canada and voting for him, don't come here (and please go away if you do). If you don't understand the hypocrisy of calling a homosexual names while living in a country where homosexual marriage has been legal for more than a decade, don't come here. If you think everybody should have a gun, don't come here.

If you are inhuman, don't come here. If you like authoritarians, don't come here. If you can't see he is an authoritarian, don't come here. If you are absolutely sure of everything and don't question yourself, don't come here. If you use (anti)social networks to inform yourself, don't come here. If you think torture is not a big deal, don't come here. If you praise a torturer, don't come here. If you think closing the Congress is a good idea, don't come here. If you think economics are what really matter, don't come here. If you can't feel empathy for another human being who is not related to you, don't come here. If you try to rationalize your vote for him, try to justify to yourself that he is not as bad as he himself says, don't come here. If you are not concerned about more deaths, don't come here.

If you think killing more people is going to improve things, don't come here. If you think the police should be allowed to kill without suffering any consequences, don't come here. If you see a dead black person and think "(s)he must have done something wrong, so it's justified that (s)he was killed", don't come here. If you think the slavery should return, don't come here. If you think indigenous people are lazy and should be killed or have no rights, don't come here. If you have no regard for our forests and our environment, don't come here. If you think the climate change is a hoax, don't come here. If you are just interested in the money, don't come here.

If you blame PT for everything bad that's happened to Brazil, don't come here. If you think people who don't blame PT for everything bad that's happened to Brazil are communists, don't come here. If you think everyone who disagrees with you is a communist, don't come here. If you think Francis Fukuyama is a communist, don't come here. If you think you know what communism is, but only read about it on (anti)social networks, don't come here.

If you are already here, then I have everything against you, and I think you should leave.


Sem Dúvida


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Com essa maré de notícias ruins que tá assolando o mundo, fica difícil saber o que dizer quando tento explicar, pra mim mesmo, o que anda acontecendo no Brasil. Não dá pra entender, não dá pra saber, mas mais do que isso: não dá pra acreditar.

Eu poderia falar sobre a burrice generalizada que está brotando nas pessoas, mas aí eu iria soar um pouco presunçoso, e isso não é uma coisa boa, né? Eu também poderia contar um pouco sobre essa raiva silenciosa que eu venho sentindo, essa vontade de que esse monte de idiotas se ferrem de "verde e amarelo", literalmente, e que sejam eles os perseguidos, e que sejam eles os que sofram na pele aquilo que desejam pros outros. Mas talvez meus ilustres leitores não entendam, e é possível que alguém diga, com razão, que eu não deveria pensar assim.

Por esses motivos, eu resolvi falar de outra coisa. Vou falar sobre a certeza. Nós vivemos num período que a certeza está à solta, e todos já têm as suas. A certeza é tipo o tamagotchi dos anos 90: se você não tem, você tá por fora! Ter certeza é ter estilo.

Às vezes eu me pego boquiaberto com o tanto de certeza que as pessoas possuem! Por exemplo, no caso da política brasileira, existem certezas que são quase dogmáticas. Ou você tem certeza que o Lula de fato é corrupto e roubou tudo aquilo que dizem, ou você tem certeza que o Lula não é corrupto e está sendo vítima de um golpe político-midiático-jurídico-judaico-papal. Não tem certeza sobre o assunto? Não sabe, ou não se sente seguro o suficiente pra opinar? Então vai pra masmorra, e receba pedradas dos dois lados!

Como é que faz pra viver nesse mundo? Como é que faz pra se ter tanta certeza sobre tantas coisas? Sinto que faltei a essa aula no colégio, enquanto todo mundo foi e se certificou de ter certeza.

É. Parece que, sem dúvida, eu acho que certamente não sei de nada.


Combater


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Às vezes, é preciso combater. É preciso dizer que o outro está errado, que ele está falando besteira sobre um assunto que não conhece (e não quer conhecer). É preciso dizer o que é ético, o que é certo. É preciso discernir tudo o que é errado e anti-ético, imoral, e que faz mal. É preciso combater o ódio, muitas vezes com amor, outras tantas com força e integridade.

É preciso falar praquele ignorante que ele não sabe o que é Software Livre. É preciso dizer que o Software Livre é muito maior do que o GNU, muito maior do que uma pessoa ou do que suas declarações. É preciso dizer que o ignorante tornou-se troll. É preciso dizer que ele não sabe o que fala, e que deve calar-se. É preciso deixar que ele viva sua adolescência conturbada e por vezes medíocre, mas tomando cuidado para que isso não influencie outras pessoas ignorantes a tornarem-se trolls também. É preciso que esse troll saia do Twitter, saia do BR-[GNU/]Linux, saia dos fóruns movidos a coisas proprietárias; ou talvez seja preciso que ele fique lá, destilando seu ódio, veneno e ignorância para seus semelhantes.

É preciso combater o liberalismo de fachada, que é um veículo para o ódio. É preciso combater o ódio. É preciso combater a ignorância, novamente. É preciso combater o reacionarismo disfarçado de “livre mercado”, é preciso combater a falta de bom senso que ocorre quando se generaliza um partido político por um comportamento, é preciso combater o comportamento, é preciso fazer progresso social sempre, é preciso parar de se importar tanto com aqueles que não se importam.

É preciso combater o pastor ignorante. É preciso combater a ignorância, uma terceira vez. É preciso combater a “trollagem” do pastor, dos fiéis e dos simpatizantes a eles. É preciso combater a onda de “radicalismo conservador” que aflige a todos. É preciso combater a falta de amor ao próximo e o excesso de arrogância. É preciso combater as falsas palavras divinas, as falsas vontades de uma entidade, as falsas aglomerações públicas em torno de um erro.

É preciso combater o apresentador idiota, ignorante e presunçoso. É preciso combater o que se destila de ódio naquele país, porque nem todos têm um soro contra veneno de cobra criada. É preciso combater a ignorância, novamente, porque ela é o caminho mais fácil para o ódio, e o ódio retroalimenta a ignorância num ciclo difícil de ser quebrado. É preciso ensinar a aprender, e aprender a ensinar. É preciso combater a preguiça, essa desculpa tão usada e repetida que chega a dar preguiça de combatê-la. É preciso sair do sofá, mas não para ir para o Twitter ou Facebook; é preciso sair do sofá e ser crítico o suficiente para saber o que se deve fazer, porque não sou eu quem vou falar.


Fazendo a Diferença


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Deu saudade de escrever em português :-). E deu saudade, também, de fazer algum post mais “filosófico”.

Não sei dizer o porquê, mas às vezes tenho uma mania besta: gosto de ficar procurando “sarna pra me coçar”. Em outras palavras, eu fico procurando coisas que me deixam mal, mesmo sabendo que vou ficar mal depois de vê-las.

Não tenho explicação pra esse comportamento. É algo meio sabotador, meio sofredor, meio... Não sei. Às vezes, quando me vejo novamente nesse ciclo vicioso, consigo parar. No entanto, na maioria das vezes, eu entro num estado estranho: é como se eu estivesse me observando, estudando quais consequências aquele ato traz para mim. Fico me perguntando se sou a única pessoa desse mundo que faz isso...

Acho que um exemplo bom desse tipo de comportamento é o que tenho feito ultimamente. Às vezes, por algum motivo que me é estranho, leio coisas ruins escritas por pessoas extremamente insensatas. E, talvez pelo mesmo motivo misterioso, eu fico mal com o que leio, mesmo sabendo que, colocando na balança o que essas pessoas fazem e o que eu faço, a diferença é gigantesca. Então por que raios eu fico mal quando leio as besteiras que são praticamente vomitadas por essas pessoas?

Talvez algumas pessoas (eu incluso) tenham um radar pra sentimentos fortes. Por exemplo, um gesto de altruísmo é algo que consegue tocar o fundo da alma, e merece ser apreciado como um vinho raro. Mas, em contrapartida, uma expressão de raiva, desprezo ou incompreensão também capta a atenção de uma forma quase inevitável. O mistério que esse gesto, muitas vezes incoerente, esconde é algo que me deixa quase aficcionado, como se eu estivesse lendo um livro e não quisesse parar antes de chegar no final. Por que uma pessoa se coloca num papel por vezes ridículo, apenas por conta de uma opinião? Por que essa pessoa, na ânsia de criticar um comportamento, um pensamento, ou uma ideologia, muitas vezes exibe exatamente as mesmas características que repudia? O que faz um ser humano, cheio de falhas e limitações, subir num (muitas vezes falso) pedestal e esquecer que já esteve lá embaixo?

Felizmente, as questões acima, por mais intrigantes que sejam, não têm me prendido por muito tempo. Acho que, nesse processo de aprendizagem a que chamamos de “vida”, estou num ponto em que percebo claramente o caos que reina na cabeça dessas pessoas, e tento me afastar dele. Mas, mais importante que isso, acho que me dou conta de você pode escolher ser a mudança que quer ver no mundo (Gandhi), ou ficar ladrando enquanto a caravana passa... E eu definitivamente não quero perder meu tempo comparando códigos pra dizer quem é melhor.


This post is massively inspired by a post in the gnu-prog-discuss mailing list. This is a closed list of the GNU Project, and only GNU maintainers and contributors can join, so I cannot put a link to the original message (by Mike Gerwitz), but this topic is being discussed over and over again at many places, so you will not have trouble finding similar opinions. I am also “responding” to a recent discussion that I had with Luiz Izidoro, which is a “friend” (as he himself likes to say) of the LibrePlanet São Paulo group.

Mike's point is simple: we, Free Software activists, are the geeks (or nerds) at school, surrounded by the “popular guys” all over again. In case it is not clear, the “popular guys” are the people who do not care about the Free Software ideology; the programmers who license their softwares using permissive licenses using the excuse of “more freedom”, but give away their work to increase the proprietary world.

It is undeniable that the Free Software, as a technical movement, has won. Anywhere you look, you see Free Software being developed and used. It is important to say that by “Free Software” I mean not only copyleft programs, but also permissive ones. However, it is also undeniable that several proprietary programs and solutions are being developed with the help of those permissive Free Softwares, without giving anything back to the community, as usual.

Numbers speak for themselves, so I am posting here the example that Mike used in his message, about Trello, a “web-based project management application”, according to Wikipedia. It is quite popular among project managers, and I know about two or three companies that use it, though I have never used it myself (luckily). Being web-based, it is full of Javascript code, and I appreciated the work Mike had to determine which pieces of Free Software Trello uses. The result is:

jQuery, Sizzle, jQuery UI, jQuery Widget, jQuery UI Mouse, jQuery UI Position, jQuery UI Draggable, jQuery UI Droppable, jQuery UI Sortable, jQuery UI Datepicker, Hogan, Backbone, JSON2 (Crockford), Markdown.js, Socket.io, Underscore.js, Bootstrap, Backbone, and Mustache

You can see the license headers of all those projects here:

This is only on the client-side, i.e., the Javascript portion. I will not post the link to the full Javascript code (condensed in one single file) because I do not have permission to do so, but it should not be hard to take a look yourself if you are curious.

On the server side, Mike came up with this list of Free Softwares being used by Trello:

MongoDB, Redis, Node.js, HAProxy, Express, Connect, Cluster, node_redis, Mongoose, node-mogodb-native, async, CofeeScript, and probably more

Quite a lot of Free Software, right? And Trello advertises itself as being “free”, which might confuse the inexperient reader because they are talking about price, not about freedom.

The lesson we learn is obvious but no less painful. He who contributes to Free Software using permissive licenses is directly contributing to the dissemination of proprietary software. And the corolary should be obvious as well: you are being exploited. Another nice addition made by Mike is a quote by Larry Ellison, CEO and founder of Oracle Corporation, about Free Software (and Open Source):

“If an open source product gets good enough, we'll simply take it.... So the great thing about open source is nobody owns it – a company like Oracle is free to take it for nothing, include it in our products and charge for support, and that's what we'll do. So it is not disruptive at all – you have to find places to add value. Once open source gets good enough, competing with it would be insane. ... We don't have to fight open source, we have to exploit open source.”

So, do you really think you have more freedom because you can choose BSD/MIT over GPL? Do you really think you it doesn't matter what other people do to your code, which you released as a Free Software? What are your goal with this movement, contribute to a better Free Software ecosystem (which will lead to a society which is more fair), or just getting your name in the hall of (f|sh)ame?

Back to the initial point, about not being “popular” among your friends (or be the “radical”, “extremist”, and other adjectives), I believe Mike hit the nail when he said that, because that is exactly how I am feeling currently, and I know other Free Softwares activists feel exactly the same. To defend a copyleft license is to defend something that is wrong, because, in the “popular kids' view”, copyleft is about anything but freedom! The cool thing now is to be indifferent, or even to think that it is nice that proprietary software can coexist with Free Software, so let's give it a help and release everything we can under permissive licenses. I could mention lots of very nice Free Softwares that chose to be permissive because their maintainers thought (and still think) GPL is evil.

I contributed and still contribute to some Free Softwares that are permissive licensed. And despite trying to use only copyleft software, sometimes I replace some of them by permissive ones, and do not feel guilty about it. I do that because I believe in Free Software, and I believe we should support it in every way we can. But doing so is also nocive to our cause. We are supporting softwares that are contributing to the proprietary world, even if that is not what their developers want. We are making it very easy for people like Larry Ellison to win and think they can exploit what other people are doing for free(dom). We are feeding our own enemy in their mouths. And we should be very careful about that.

This post is a request. I am asking you a favor. Please, consider (re)licensing your project using a copyleft license. If you do value what Free Software is about (or even what Open Source is about!), then help spread it by not helping the proprietary side. I am not asking you to join our ideological cause (or maybe I am?); feel free to stay out of this if you want. But please, at least consider helping the Free Software community by avoiding making your code permissive, which will give too much power to the unethical side.

Thank you!


Sei que ainda estou devendo um post sobre minha participação no FISL 15, mas o tempo anda meio curto pra falar tudo o que eu quero. Tenho decidido falar de maneira mais “picada”, até pra não fazer o texto ficar muito chato. E esse post aqui é sobre um comportamento que vejo há algum tempo, mas que foi exacerbado por conta do debate sobre a suposta morte do movimento Software Livre no Brasil.

Antes de mais nada, se quiser assistir ao debate, o link direto está aqui. Também sugiro uma visita à página wiki do grupo LibrePlanet São Paulo, na qual você pode encontrar algumas sugestões de outras palestras interessantes que rolaram no evento. Você pode acessá-la nesse link.

Mas voltando ao assunto. Meu objetivo no post não é discutir o debate em si; pretendo fazer isso em um post futuro. O ponto que quero discutir é o comportamento do que chamo de “zeladores da coerência”. São pessoas que existem em qualquer movimento social/político/filosófico, e não poderia deixar de existir no Software Livre. Mas curiosamente, vejo mais contundência naquelas pessoas que não defendem o Software Livre, do que naquelas que o fazem. Explico-me.

O Anahuac fez alguns posts recentemente atacando a falta de distinção entre os movimentos Open Source e Software Livre, especificamente por parte daqueles que fazem parte do primeiro mas se dizem defensores do segundo. Posso classificar, nesse meu post, o Anahuac como sendo um zelador da coerência, apesar de ele mesmo admitir algumas incoerências no seu comportamento, como o uso do Twitter. E, apesar de nem sempre concordar com o tom que ele usa em seus textos, muitas vezes combativos e até perigosamente ácidos, concordo com a maioria dos pontos que ele levanta nos dois artigos que mencionei. Se quiser lê-los, o primeiro é esse aqui, e o segundo tá nesse link. Há bastante tempo, publiquei minhas opiniões (em inglês) sobre esse mesmo assunto, nesse post aqui.

Pois bem, como o Anahuac não tem problema em levar pedradas, ele postou ambos os textos no site BR-[GNU/]Linux, notadamente um reduto Open Source brasileiro. Parei de ler o site há bastante tempo, por conta de diferenças de opinião com o conteúdo publicado, e principalmente por notar sempre um tom irônico e parcial travestido de uma suposta “isenção aos fatos” nos comentários que o autor do site faz sobre as notícias. No entanto, o próprio Anahuac fez questão de trazer à minha atenção a repercussão que os textos estavam tendo, e pediu-me pra ler os comentários do post no BR-[GNU/]Linux. Vale mencionar que o site utilizar o Disqus para oferecer um sistema de comentários, um serviço que não respeita a privacidade dos seus usuários e realiza tracking das atividades dos mesmos. Como não possuo uma conta lá, e utilizo alguns plug-ins para não executar código Javascript não-autorizado no meu navegador, acabei tendo um pouco de trabalho pra conseguir ler os comentários de forma mais ou menos anônima. Mas no fim, consegui. E o que vi, apesar de ser “mais do mesmo”, me deixou bem pensativo.

Não esperava uma reação diferente de parte da comunidade. Como disse, os textos do Anahuac são feitos pra “tocar na ferida” de uma forma às vezes brusca, e que desagrada muita gente. Vários comentários eram ad hominem, e nem merecem menção. Mas o que me chamou a atenção foi a quantidade de pessoas apontando incoerências (supostas ou verídicas) que o Anahuac comete, e retirando dele o direito de apontar qualquer tipo de incoerência na própria comunidade da qual faz parte. E aí fico pensando, será que nós mesmos, ativistas do Software Livre, não estamos colhendo o que plantamos?

Não consigo deixar de falar da minha experiência. Sempre tentei basear meus atos e opiniões em cima da minha própria coerência. Sei que é difícil, e, apesar de muitas vezes (pré)julgar alguém por uma incoerência cometida, tento sempre lembrar que eu mesmo já usei Gmail e Twitter para criticar o Software Livre. Obviamente que, na época, eu não tinha tanto conhecimento a respeito dos perigos de se usar essas ferramentas, mas mesmo assim nada impedia (como, de fato, não impediu!) que alguém chegasse e me acusasse de incoerência. Já, inclusive, condenei o uso do Facebook para divulgar um ex-grupo de Software Livre do qual fazia parte, e recebi como resposta um “conselho” (não muito educado) dizendo que, se eu quisesse usar apenas Software Livre, deveria parar de usar computador, já que independente da máquina eu ia ter que usar algo proprietário. Isso foi proferido por um dos fundadores do tal grupo, um rapaz muito famoso pela falta de educação, mas que, há bastante tempo atrás, acreditava nos mesmos ideais que eu.

É muito difícil rebater um argumento desse tipo. Aliás, é muito difícil rebater um dedo apontado na sua cara mostrando alguma incoerência que você comete, e que está lá como uma resposta a uma acusação sua de uma outra incoerência. Algumas pessoas tendem a se defender justificando seus erros através dos erros dos outros, e quando elas podem usar o próprio “acusador” como um exemplo, melhor ainda (pra elas)! É isso que está havendo, e é essa maré desses zeladores da coerência alheia que me preocupa um pouco. Afinal, sempre vai ser possível encontrar incoerências em qualquer pessoa.

Não sei direito onde quero chegar com esse texto, mas acho que uma coisa está ficando um pouco clara na minha cabeça, ou pelo menos eu estou começando a ver um lado diferente da história toda. Apontar incoerências, por mais evidentes que elas estejam aos nossos olhos, pode não ser a melhor forma de conseguirmos explicar nossos ideais. Pode parecer óbvio (e talvez seja), mas ninguém gosta de ser colocado contra a parede, e pouquíssimas pessoas têm a coragem necessária pra assumir publicamente um erro. Talvez o caminho para a cabeça e o coração das pessoas seja outro. Durante o debate no FISL, o Fred falou algo que tem estado na minha mente com cada vez mais frequência. Pode parecer piegas, mas nós precisamos de mais amor ao próximo, até para podermos entender que nós, também, já estivemos do lado de lá. O Software Livre, como movimento social, político e filosófico que é, vai florescer cada vez mais quando cada ativista olhar pra si mesmo e reconhecer, mesmo que com dificuldade, aquele a quem espera passar um pouco do seu ideal.

É difícil, mas é necessário.


Narcissistic behavior


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People talk about themselves all the time. Directly or indirectly, they usually have the intention to promote their views, opinions, or increase their self-esteem. I'm wondering now if I'm too radical when I say that I do bother about this behavior...

Sometimes I can't stand being close to someone who is a narcissist. However, what really pisses me off is talking to someone who pretends not to be a narcissist! This is absurdly annoying. They frequently talk about themselves, mentioning their freaking achievements, secretly waiting for other people to admire them, but they also like to say that they are not so good as they wanted, or that they should give more value to what they do, and so on...

Oh, man. Really? Can't you just stop appraising yourself externally, and start doing this internally, which is by far the most important thing to do? Can't you just be a nice guy/girl and stop talking about yourself like you were in a freaking presentation?

On the other hand, I understand that this kind of people probably have some serious internal issues (who doesn't, huh?), and they probably want everyone to pay attention to them as much as possible. We've got to be patient with them, understand their problem, and maybe try to help (how??). But sometimes it's just too hard to do that.

New year's resolution? Nah, I don't think so...


A falta de uns Quaresmas


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É preciso ter paciência pra viver nesse país. Vejo duas aglomerações que se juntam, misturadas ou não, nesse mar de reclamações.

A primeira, composta por pessoas que reclamam do Brasil, e querem sair do país de qualquer modo. Vislumbram-se diante de qualquer estrangeirismo, viajam para o exterior e voltam querendo viver lá (dizendo que querem aprender uma nova cultura, mas na verdade querendo fugir das terras tupiniquins), espumam de raiva quando falam dos problemas daqui, e, às vezes, sentenciam: esse país não tem jeito.

A segunda aglomeração, que à primeira vista parece se importar com a nação, é a dos que defendem algum partido político. Com os desdobramentos do episódio do mensalão, pipocam pessoas desse tipo. Pode parecer que elas estão interessadas no bem da população, ao concordar/discordar da condenação e prisão dos réus. Ledo engano.

Com o episódio do mensalão, e o desfecho que está acontecendo, é difícil não sentir-se enojado. Mas o motivo do nojo varia... Alguns, com o bico largo, enojam-se comemorando as prisões, independente da legalidade das mesmas, como se fosse um alívio ver que os presos não tiveram um tratamento muito digno. Outros, vermelhos (não só) de raiva, enojam-se com a falcatrua que supostamente está acontecendo desde o início do escândalo, e mais ainda com a prisão injusta (na visão dos mesmos) dos acusados pela corrupção. Já eu...

Eu me enojo de ver os nojos. É meio contraditório, mas eu me sinto no meio de um lamaçal, com porcos atirando sujeira de todos os lados. Às vezes, confesso, fica difícil distinguir quem é quem. E eu já vi cada tipo de sujeira...

De um lado, os petistas e simpatizantes agem, em sua maioria, como se os presos fossem santos sendo apedrejados em praça pública. Já vi pessoas dizendo que o que o PT fez não foi tão grave, ou que tudo não passa de mentira, ou que o PT apenas usou dinheiro privado em campanha (caixa 2, proibido por lei), e que isso não é muita coisa se comparado com o que o PSDB fez (mesmo sem saber dizer direito o que é que eles fizeram).

De outro lado, os tucanos e simpatizantes também agem, em sua maioria, de maneira completamente irracional. Justificam que o PSDB não tem corruptos, e que se tivesse, eles seriam expulsos. Dizem que o PT é o câncer que precisa ser extinto, e não se interessam em olhar pra coisas boas que eles fizeram, afinal, "se é do PT não pode ser bom". Usam o mensalão como argumento para qualquer discussão, não importando se estão certos ou não. E ainda têm coragem de dizer que, mesmo que o julgamento tenha sido uma farsa, os condenados ainda mereceriam estar presos. Querem justiça, mas do jeito deles.

Eu, que não sou fã de futebol, e abomino qualquer tipo de torcedor (seja desse esporte ou não), sinto-me dentro de um jogo, e não de um país. As torcidas não querem ver um jogo bonito, elas querem sangue. Todos querem que seu time ganhe, mesmo que pra isso seja necessário uma ajuda do árbitro. E nada mais importa caso meu time perca. Fui roubado, o técnico é uma porcaria, o campo estava ruim, tudo aconteceu pra que meu time fosse prejudicado.

Não se deixe enganar: essas pessoas, esses partidários, eles não estão preocupados com o bem do país. Eles preocupam-se com o bem do partido, e apenas isso. Se o partido faz o bem para o país, melhor. Se ele faz algo errado, bem, paciência, nem tudo é perfeito... Isso me lembra das manifestações que ocorreram em Junho/Julho. Na época, a maioria dos que saíram às ruas não queria bandeiras e nem vínculo com partidos. E, enquanto os petistas começaram a taxar isso de "fascismo", os tucanos se aproveitaram da situação e, tacitamente, infiltraram pessoas nos conglomerados. Na época, não estava claro pra mim quem estava certo ou errado, mas hoje, ao olhar pra trás, vejo que os dois partidos, mais uma vez, só estavam olhando pro próprio umbigo! Extremamente triste...

E, como se não bastasse, vejo-me cercado por pessoas que não valorizam seu próprio país. Óbvio que, para mim, esse tipo de pessoa tem muito em comum com o tipo que descrevi acima, e que vou chamar de "partidário". A pessoa que quer sair do país, por fora, pode parecer muito diferente do partidário. Ela, muitas vezes, nem partido político tem. Não acredita em muita coisa no Brasil, então prefere não se misturar. Além disso, em geral (mas nem sempre), ela tende a ficar alheia aos acontecimentos políticos, e só opina quando algo grande acontece, criticando indiscriminadamente qualquer político que esteja envolvido (mesmo sem provas). Uma outra característica é que, como atualmente virou moda ser conservador, essa pessoa tende a posicionar-se sempre contra a esquerda, porque, afinal, "comunismo é ruim e ponto". Mas não é de se estranhar que ela ache isso, afinal, estudar história não é muito o seu forte...

Essa pessoa não conhece muito a história do Brasil. Não aprecia coisas daqui, não ouve música brasileira, não vê ou sente o jeito que o brasileiro tem de lidar com problemas, e não se preocupa em conhecer detalhes da nossa história e, acima de tudo, compara pejorativamente qualquer coisa brasileira. Essa pessoa quer mudar do Brasil, e não se importa em mudar o Brasil.


The Free Software Foundation has a Twitter account. Surprised? So am I, in a negative way, of course. And I will explain why on this post.

You may not agree with me on everything I write here, and I am honestly expecting some opposition, but I would like to make it crystal clear that my purpose is to raise awareness for the most important "feature" an organization should have: coherence.

The shock

I first learned about the Twitter account on IRC. I was hanging around in the #fsf channel on Freenode, when someone mentioned that "... something has just been posted on FSF's Twitter!" (yes, it was a happy announcement, not a complaint). I thought it was a joke, but before laughing I decided to confirm. And to my deepest sorrow, I was wrong. The Free Software Foundation has a Twitter account. The implications of this are mostly bad not only for the Foundation itself, but also for us, Free Software users and advocates.

Twitter uses Free Software to run its services. So does Facebook, and I would even bet that Microsoft runs some GNU/Linux machines serving intranet pages... But the thing is not about what a web service uses. It is about endorsement. And I will explain.

Free ads, anyone?

I remember having this crazy thought some years ago, when I saw some small company in Brazil putting the Facebook logo in their product's box. What surprised me was that the Facebook logo was actually bigger than the company's logo! What the heck?!?! This is "Marketing 101": you are drawing attention to Facebook, not to your company who actually made the product. And from that moment on, every time I see Coca Cola putting a "Find us on http://facebook.com/cocacola" (don't know if the URL is valid, it's just an example) I have this strange feeling of how an internet company can twist the rules of marketing and get free ads everywhere...

My point is simple: when a company uses a web service, it is endorsing the use of this same web service, even if in an indirect way. And the same applies to organizations, or foundations, for that matter. So the question I had in my mind when I saw FSF's Twitter account was: do we really want to endorse Twitter? So I sent them an e-mail...

Talking to the FSF - First message

I have exchanged some interesting messages with Kyra, FSF's Campaign Organizer, and with John Sullivan, FSF's Executive Director. I will not post the messages here because I don't have their permission to do so, but I will try to summarize what we discussed, and the outcomings.

My first message was basically requiring some clarifications. I had read this interesting page about the presence of FSF on Twitter, and expressed my disagreement about the arguments used there.

They explicitly say that Twitter uses nonfree JavaScript, and suggest that the reader use a free client to access it. Yet, they still close their eyes to the fact that a big part of the Twitter community use it through the browser, or through some proprietary application.

They also acknowledge that Twitter accounts have privacy issues. This is obvious for anyone interested in privacy, and the FSF even provides a link to an interesting story about subpoenas during the Occupy Wall Street movement.

Nevertheless, the FSF still thinks it's OK to have a Twitter account, because it uses Twitter via a bridge which connects FSF's StatusNet instance to Twitter. Therefore, in their vision, they are not really using Twitter (at least, they are not using the proprietary JavaScript), and well, let the bridge do its job...

This is nonsense. Again: when a foundation uses a web service, it is endorsing it, even if indirectly! And that was the main argument I have used when I wrote to them. Let's see how they replied...

FSF answers

The answer I've got to my first message was not very good (very weak arguments), so I won't even bother talking about it here. I had to send another message to make it clear that I was interested in real answers.

After the second reply, it became clear to me that the main point of the FSF is to reach as many people as they can, and pass along the message of software user freedom. I have the impression that it doesn't really matter the means they will use for that, as long as it is not Facebook (more on that latter). So if it takes using a web service that disrespects privacy and uses nonfree Javascript, so be it.

It also seems to me that the FSF believes in an illusion created by themselves. In some messages, they said that they would try to do a harder job at letting people know that using Twitter is not the solution, but part of the problem (the irony is that they would do that using Twitter). However, sometimes I look at FSF's Twitter account, and so far nothing has been posted about this topic. Regular people just don't know that there are alternatives to Twitter.

I will take the liberty to tell a little story now. I told the same story to them, to no avail. Let's imagine the following scenario: John has just heard about Free Software and is beginning to study about it. He does not have a Twitter account, but one of the first things he finds when he looks for Free Software on the web is FSF's Twitter. So, he thinks: "Hey, I would like to receive news about Free Software, and it's just a Twitter account away! Neat!". Then, he creates a Twitter account and starts following FSF there.

Can you imagine this happening in the real world? I definitely can.

The FSF is also mistaken when they think that they should go to Twitter in order to reach people. I wrote them, and I will say it again here, that I think we should create ways to reach those users "indirectly" (which, as it turns out, would be more direct!), trying to promote events, conferences, talks, face-to-face gatherings, etc. The LibrePlanet project, for example, is a great way of doing this job through local communities, and the FSF should pay a lot more attention to it in my opinion! These are "offline" alternatives, and I confess I think we should discuss the "online" ones with extra care, because we are in such a sad situation regarding the Internet now that I don't even know where to start...

And last, but definitely not least, the FSF is being incoherent. When it says that "it is OK to use Twitter through a bridge in a StatusNet instance", then it should also be coherent and do the same thing for Facebook. One can use Facebook through bridges connecting privacy-friendly services such as Diaspora and Friendica (the fact that Diaspora itself has a Facebook account for the project is a topic I won't even start to discuss). And through those bridges, the FSF will be able to reach much more people than through Twitter.

I am not, in any way, comparing Twitter and Facebook. I am very much aware that Facebook has its own set of problems, which are bigger and worse than Twitter's (in the most part). But last time I checked, we were not trying to find the best between both. They are both bad in their own ways, and the FSF should not be using either of them!

Conclusion

My conversation with the FSF ended after a few more messages. It was clear to me that they would not change anything (despite their promises to raise awareness to alternatives to Twitter, as I said above), and I don't believe in infinite discussions about some topic, so I decided to step back. Now, this post is the only thing I can do to try to let people know and think about this subject. It may seem a small problem to solve, and I know that the Free Software community must be together in order to promote the ideas we share and appreciate, but that is precisely why I am writing this.

The Free Software movement was founded on top of ideas and coherence. In order to be successful, we must remain coherent to what we believe. This is not an option, there is no alternative. If we don't defend our own beliefs, no one will.


A era da mediocridade


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Eles escrevem em paredes. Mas são digitais, dentro de muros ainda mais altos, controlados por uma ou mais empresas, tendo a ilusão de ótica de estarem se organizando por um bem maior, quando na verdade não passam de fantoches. Seja bem vindo ao planeta Terra, ano de 2013, século XXI. Vou falar um pouco sobre o que está acontecendo nesta realidade em que, fortuitamente ou não, estou inserido -- mesmo sem participar.

Este post não pretende ser nada além de um post. Não vai ter links, referências, nem nada. É só uma descarga mental.

Eric Hobsbawm provavelmente ficaria em dúvida se decidisse lançar mais um dos seus inestimáveis livros sobre Eras, que falasse sobre esse período que a humanidade está vivendo desde idos da década de 80 ou 90. A dúvida, superficialmente, seria simples: uma palavra que definisse, talvez não de modo unívoco mas ainda assim de maneira contundente, a dita Era. No entanto, se analisássemos a questão de modo um pouco mais profundo, veríamos que as opções para a tal "palavra" seriam muitas, e muito ruins.

Hobsbawm não está mais entre nós. Mas isso não deixa a dúvida menos incômoda. Vivemos várias eras em uma só, a da mediocridade (que foi a palavra escolhida como título do post, mas apenas porque foi a primeira que me veio à mente), a era do egoísmo e do individualismo, a era do descaso, a era da burrice coletiva, a era da falta de compromisso, da falta de interesse, da falta de amor, da manipulação, da vontade de ser manipulado.

Recentemente, no Brasil, estamos vendo manifestações populares pipocando a torto e a direito. Pessoas diversificadas dentro de uma mesma classe média saem às ruas com bandeiras, hinos e muito partidarismo disfarçado. As reivindicações são muitas, de esdrúxulas a absurdas, passando pelo generalismo e falta de argumentos. O que querem esses caras pintadas, esses brasileiríssimos filhos com máscara hollywoodiana gritando frases de propagandas de televisão? Essas pessoas instruídas a colocarem expressões em hashtags em cartolinas? Esses cidadãos exemplares e sociais nas redes?

Acordar, acordar mesmo, é uma expressão muito forte. Há que se tomar cuidado com o orgulho cego que nos lança luzes fortíssimas na cara a fim de nos fazer acreditar que daqui pra frente, tudo vai ser diferente. E essa falsa certeza absolutamente irrefutável, que é cada vez maior quanto mais nos enfiamos nesses meios de comunicação dessa era em que vivemos, é perigosa como qualquer outro dogma inquestionável.

De um lado, já sabíamos há muito tempo que um governo ditatorial como o dos Estados Unidos espiava e ainda espia tudo o que lhe convém. Já sabíamos, mas mesmo assim só vejo pessoas surpresas com essa cortina de fumaça (sim, existe um motivo maior pra essa história toda vir à tona) jogada sobre nós. Parece que precisavam de um nome, e PRISM caiu bem, lembra um pouco aqueles mega computadores de livros de ficção científica, medonhas máquinas que só sabem usar números pra matar. Então agora, já que temos um bom nome, todos aqueles que antes tinham se esquecido da espionagem agora dizem que "deixou de ser teoria (da conspiração)". Deixou? Já foi? Ou era você que não queria ver? Que se esquecia, porque convinha?

De outro, temos os rueiros, manifestantes que, imbuídos de um espírito que quer lutar por mais justiça e, consequentemente, liberdade, abusam de um Facebook (ou "face", praqueles que possuem a síndrome de Estocolmo) para organizarem coisas, para combinarem festas, para encontrarem parceiros, para viverem (ou terem essa ilusão). Fantoches, que se colam nas mãos de uma empresa, que não querem sair, criam dependência e subserviência, e assim acham que se tornam mais brasileiros.

No centro, o nada. O vazio. A coisa-nenhuma, amiga inseparável e confidente desses tempos que vivemos. Vácuo e zero se fundem num emaranhado de matéria e anti-matéria. Nenhuma energia se cria, toda energia é consumida e transformada nessa roda-viva teatral que nos leva de volta ao começo do fim. Todos os posts são perdidos, todos os likes são pedidos, todos na rua porque hoje é mais um dia como outro qualquer e diferente de tudo o que já foi.

Quando penso no que éramos e no que nos tornamos, choro por todos os motivos conhecidos e que ainda hei de conhecer. Estamos na descida, e eu ainda não vejo o fundo do vale.