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A era da mediocridade


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Eles escrevem em paredes. Mas são digitais, dentro de muros ainda mais altos, controlados por uma ou mais empresas, tendo a ilusão de ótica de estarem se organizando por um bem maior, quando na verdade não passam de fantoches. Seja bem vindo ao planeta Terra, ano de 2013, século XXI. Vou falar um pouco sobre o que está acontecendo nesta realidade em que, fortuitamente ou não, estou inserido -- mesmo sem participar.

Este post não pretende ser nada além de um post. Não vai ter links, referências, nem nada. É só uma descarga mental.

Eric Hobsbawm provavelmente ficaria em dúvida se decidisse lançar mais um dos seus inestimáveis livros sobre Eras, que falasse sobre esse período que a humanidade está vivendo desde idos da década de 80 ou 90. A dúvida, superficialmente, seria simples: uma palavra que definisse, talvez não de modo unívoco mas ainda assim de maneira contundente, a dita Era. No entanto, se analisássemos a questão de modo um pouco mais profundo, veríamos que as opções para a tal "palavra" seriam muitas, e muito ruins.

Hobsbawm não está mais entre nós. Mas isso não deixa a dúvida menos incômoda. Vivemos várias eras em uma só, a da mediocridade (que foi a palavra escolhida como título do post, mas apenas porque foi a primeira que me veio à mente), a era do egoísmo e do individualismo, a era do descaso, a era da burrice coletiva, a era da falta de compromisso, da falta de interesse, da falta de amor, da manipulação, da vontade de ser manipulado.

Recentemente, no Brasil, estamos vendo manifestações populares pipocando a torto e a direito. Pessoas diversificadas dentro de uma mesma classe média saem às ruas com bandeiras, hinos e muito partidarismo disfarçado. As reivindicações são muitas, de esdrúxulas a absurdas, passando pelo generalismo e falta de argumentos. O que querem esses caras pintadas, esses brasileiríssimos filhos com máscara hollywoodiana gritando frases de propagandas de televisão? Essas pessoas instruídas a colocarem expressões em hashtags em cartolinas? Esses cidadãos exemplares e sociais nas redes?

Acordar, acordar mesmo, é uma expressão muito forte. Há que se tomar cuidado com o orgulho cego que nos lança luzes fortíssimas na cara a fim de nos fazer acreditar que daqui pra frente, tudo vai ser diferente. E essa falsa certeza absolutamente irrefutável, que é cada vez maior quanto mais nos enfiamos nesses meios de comunicação dessa era em que vivemos, é perigosa como qualquer outro dogma inquestionável.

De um lado, já sabíamos há muito tempo que um governo ditatorial como o dos Estados Unidos espiava e ainda espia tudo o que lhe convém. Já sabíamos, mas mesmo assim só vejo pessoas surpresas com essa cortina de fumaça (sim, existe um motivo maior pra essa história toda vir à tona) jogada sobre nós. Parece que precisavam de um nome, e PRISM caiu bem, lembra um pouco aqueles mega computadores de livros de ficção científica, medonhas máquinas que só sabem usar números pra matar. Então agora, já que temos um bom nome, todos aqueles que antes tinham se esquecido da espionagem agora dizem que "deixou de ser teoria (da conspiração)". Deixou? Já foi? Ou era você que não queria ver? Que se esquecia, porque convinha?

De outro, temos os rueiros, manifestantes que, imbuídos de um espírito que quer lutar por mais justiça e, consequentemente, liberdade, abusam de um Facebook (ou "face", praqueles que possuem a síndrome de Estocolmo) para organizarem coisas, para combinarem festas, para encontrarem parceiros, para viverem (ou terem essa ilusão). Fantoches, que se colam nas mãos de uma empresa, que não querem sair, criam dependência e subserviência, e assim acham que se tornam mais brasileiros.

No centro, o nada. O vazio. A coisa-nenhuma, amiga inseparável e confidente desses tempos que vivemos. Vácuo e zero se fundem num emaranhado de matéria e anti-matéria. Nenhuma energia se cria, toda energia é consumida e transformada nessa roda-viva teatral que nos leva de volta ao começo do fim. Todos os posts são perdidos, todos os likes são pedidos, todos na rua porque hoje é mais um dia como outro qualquer e diferente de tudo o que já foi.

Quando penso no que éramos e no que nos tornamos, choro por todos os motivos conhecidos e que ainda hei de conhecer. Estamos na descida, e eu ainda não vejo o fundo do vale.


Relato: FAD SP 2013


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Estava devendo este post há 1 semana pro meu amigo Leonardo Vaz! Desculpaê, Leo :-).

Vou tentar fazer um (breve?) relato sobre o Fedora Activity Day (ou simplesmente FAD), que aconteceu em São Paulo no dia 1 de Junho de 2013, mais conhecido como sábado retrasado :-). Se quiser ver a página de organização do evento (em inglês), clique neste link aqui.

Chegada em Sampa

Bem, como sou um ex-embaixador do Fedora novato, inexperiente, e que não faz nada da vida (ao contrário de vários ex-colegas que participam há anos como embaixadores contribuindo solidamente para o bem comum e sem deixar a peteca cair), eu resolvi levar os DVDs do Fedora que estavam comigo para que o Leo e o Itamar (e quem mais estivesse por lá!) pudessem se encarregar de redistribuí-los antes que eles perdessem a "validade". Saí cedo de Campinas, e com uma São Paulo sem trânsito nem problemas, consegui chegar no escritório da Red Hat às 9h e pouco.

Conheci (e reconheci!) algumas pessoas por lá, entre colegas de trabalho da empresa, embaixadores/contribuidores do Fedora, e entusiastas que estavam lá pra conhecer melhor e ver qual era a do evento. Certamente foi uma tarde/noite proveitosa em termos de contatos pessoais!

Palestras

Depois de um atraso no início do evento, o Leo começou apresentando uma palestra sobre o projeto Fedora (e seus sub-projetos, como o de embaixadores, por exemplo). Mesmo com boa parte (senão todos!) dos presentes já fazendo parte do projeto de algum jeito, ainda assim a palestra foi um momento legal pra que algumas discussões e reflexões acontecessem. Considero que a maior parte da "nata" da comunidade estava naquela sala (com óbvias exceções como o Fábio Olivé, o Amador Pahim, e outras pessoas cujos nomes não vou ficar citando porque estou com preguiça de pensar em todos!). Portanto, acho que o plano do Leo (que é o de revitalizar a comunidade Fedora no Brasil, principalmente a de embaixadores) começou com os dois pés direitos (se é que isso é possível!).

A idéia inicial era de que cada palestra durasse 1 hora, mas é claro que com tanto assunto pra tratar a palestra do Leo durou muito mais que isso! No fim das contas, quando a palestra terminou já era hora do almoço :-). Como não poderia deixar de ser, o papo continou na cozinha, e foi lá que pude conhecer melhor o pessoal que estava presente. Foi bem legal :-).

Bem, com a bateria carregada, era hora do segundo ciclo de palestras! O Leo pediu pra que eu apresentasse um pouco da minha experiência com o GDB, tanto na parte de lidar com a comunidade upstream, quanto na hora de focar no desenvolvimento de funcionalidades para o Fedora (ou para o Red Hat Enterprise (GNU/)Linux). Eu não tinha preparado nenhum slide, e fui com a cara (de pau) e a coragem tentar bater um papo com a galera ;-). Aqui está uma foto na hora da palestra (reparem na pose, no garbo e na elegância do palestrante):

Apresentação do GDB

Acho que consegui passar uma idéia de como é o meu dia-a-dia trabalhando com o GDB e navegando entre os mares upstream e empresarial. Algumas pessoas fizeram algumas perguntas (o Maurício Teixeira inclusive fez perguntas técnicas!), e felizmente minha palestra durou bem menos do que a do Leo! Eu certamente não tinha tanto assunto pra tratar :-P.

A última atividade do dia foi um hands-on que o Itamar fez sobre empacotamento RPM. Foi legal, e acho que deu pro pessoal ter uma noção de que empacotar pro Fedora não é um bicho de sete cabeças. Inclusive, se você estiver interessado em saber mais, sugiro que dê uma olhada na página wiki que ensina o básico disso, e não se sinta envergonhado de enviar suas dúvidas pras listas de desenvolvimento do Fedora!

Após esse how-to ao vivo, e levando em conta o horário avançado (mais de 19h) e o cansaço do pessoal, decidimos finalizar o evento. Na verdade, ainda ficamos discutindo bastante sobre vários pontos importantes da comunidade, os problemas vivenciados (sim, existem problemas, a não ser que você viva num mundo encantado ou não se envolva o suficiente pra notá-los, mas aí é só pedir pra alguém traduzir o que está acontecendo e talvez você entenda), e as possíveis soluções. Acabei saindo de Sampa quase 20h30min, mas achei que valeu muito a pena ter ido!

Conclusões

A conclusão pessoal é que eu estava mesmo precisando ir a eventos e conhecer pessoas novas! Acho isso muito legal, é um combustível pra fazer mais coisas e ter mais idéias.

A conclusão na parte da comunidade é a de que o Leo vai conseguindo aos poucos mudar a mentalidade do Fedora Brasil. Não me arrependo de ter dado um tempo no sub-projeto de embaixadores, e estou achando muito legal ver as ações do Leo & cia. para mudar as coisas. Têm meu total apoio!

Agradecimentos

Esse evento certamente não teria acontecido sem o incansável Leonardo Vaz. Ele merece todos os agradecimentos e toda a admiração da comunidade (inter)nacional do Fedora por isso, sem dúvida. Se você estiver lendo este post, tiver alguma relação com o Fedora, e for ao FISL este ano, pague uma cerveja (ou suco!) a ele, porque ele merece.

Também queria agradecer ao pessoal que foi ao evento. É sempre bom ver gente que se preocupa de verdade em melhorar algo, que não fecha os olhos para os problemas que estão acontecendo, e principalmente que se dispõe a aprender algo novo. Foi gratificante ter conhecido pessoas como o Germán, um astrofísico argentino que mantém dois pacotes em Python no Fedora sem querer nada em troca! Ou tipo o Hugo Cisneiros, envolvido no mundo GNU/Linux há tanto tempo quanto aquele cabelo dele levou pra crescer :-P.

E vida longa ao Software Livre!


E... Aqui estamos (estou?) com mais um relato sobre duas atividades envolvendo o Projeto Fedora! Ele contempla, respectivamente, os Install Fests ocorridos na UNESP de Rio Claro/SP e na UNICAMP. Foram atividades que envolveram diversas pessoas, tiveram vitórias e derrotas, alegrias e tristezas, mas acima de tudo um sentimento de impotência (principalmente no Install Fest ocorrido na UNICAMP) em relação às novas "tecnologias" de boot, principalemente ao Secure Boot.

Install Fest: missão UNESP de Rio Claro/SP

Este foi o Install Fest mais tranquilo. Ele começou a ser organizado logo depois da minha participação na Semana da Computação da UNESP de Rio Claro, e a intenção inicial era realizá-lo no dia da matrícula dos alunos ingressantes na Universidade. No final das contas, decidimos postergar a data, e isso foi uma boa escolha.

O Install Fest aconteceu no dia 06 de março de 2013, em um auditório da Biblioteca do campus, e começou com uma palestra minha sobre o Projeto Fedora. Foi basicamente a mesma palestra que eu havia apresentado na Semana da Computação, mas de uma maneira mais sucinta porque tínhamos pouco tempo. Creio que a palestra foi bem recebida, porque o público demonstrou interesse em contribuir com o Projeto Fedora depois que eu expliquei os meios para isso :-). Além disso, apesar do número pequeno de pessoas (aproximadamente 12 participantes), todos estavam bastante interessados no conteúdo, o que é uma motivação extra!

Bem, após a palestra era hora de começar a instalar os sistemas. Levei vários DVDs do Fedora, em basicamente 2 versões: LiveDVDs, que permitem o boot e a utilização de um sistema Fedora sem a necessidade de instalar nada na máquina, e InstallDVDs, que não oferecem a opção de "experimentar" o sistema, mas já possuem todos os pacotes necessários para fazer uma instalação completa. Expliquei a todos os presentes algumas regras básicas de todo Install Fest: é preciso reparticionar o disco rígido caso se queira manter o Microsoft (R) Windows (R), quem organiza o Install Fest não pode assumir responsabilidade por nenhuma falha na instalação (apesar de elas serem raras), e também não pode assumir responsabilidade caso o usuário torne-se viciado no GNU/Linux :-). Dito isso, começamos a colocar as mãos na GNU/massa.

O primeiro desafio (e, até então, único!) dos Install Fests recentes é imposto pelos próprios fabricantes de notebooks. Um disco rígido que ainda utilize MBR (a maioria) suporta apenas 4 partições primárias. Antigamente, os fabricantes criavam apenas uma partição para o Microsoft (R) Windows (R), e às vezes chegavam a criar outra partição de "recuperação", mas paravam por aí. Atualmente, não é raro encontrar computadores com 4 partições primárias já criadas. Eu inclusive já cheguei a ver notebooks com discos de 1 TB com uma partição primária de pouco mais de 1 MB! É uma prática totalmente absurda, e a meu ver é feita com má-fé, visando dificultar a instalação de outros sistemas operacionais. Além disso, pra piorar ainda mais, alguns fabricantes (HP me vem à cabeça, mas existem outros) dão um jeito de invalidar a garantia caso o esquema de particionamento seja alterado!!!

Felizmente, vários computadores no Install Fest possuíam apenas 3 partições (ou até menos!), e aqueles que possuíam 4 partições ou usavam um outro boot sector (chamado GPT), ou já estavam fora da garantia do fabricante e podiam ter seus esquemas de particionamento alterados. O próprio Microsoft (R) Windows (R), a partir da versão 7 (se não me engano), oferece uma ferramenta específica para redimensionar e reparticionar o disco, portanto essa primeira etapa foi concluída com sucesso em todas as máquinas (por favor, se você participou do Install Fest e se lembra de alguma máquina na qual não foi possível efetuar o reparticionamento, por favor contate-me <about> para que eu corrija o post!).

Depois de reparticionar, era hora de começar a instalação. Quase todos preferiram utilizar o InstallDVD, porque a instalação pela internet iria demorar muito. Após o boot, deparamo-nos com a interface do instalador do Fedora 18. Depois de ter lido diversas críticas sobre ele, pude finalmente confirmar que, infelizmente, quase todas condizem. Confesso que fiquei confuso no início, principalmente na tela de particionamento e seleção de disco, que não é nem um pouco intuitiva. Sei que o instalador foi reescrito, e que ele foi um dos principais motivos do atraso no lançamento do Fedora 18, então espero muito que as melhorias para o Fedora 19 contemplem, principalmente, essa parte de interface com o usuário. Após apanhar um pouco, acabei me acostumando com ele e as outras instalações foram mais tranquilas.

Conforme as instalações foram acabando, os sistemas começaram a ser configurados. Se minha memória não falha, todos optaram por instalar o GNOME 3, que é o desktop padrão do Fedora 18. Eu particularmente não gosto dele, e também tive algumas dificuldades (principalmente ao tentar encontrar modos de alterar opções mais avançadas), mas algumas pessoas gostaram do visual.

No final, esqueci de contar quantas máquinas foram instaladas, mas creio que chegamos perto de 11. Todas as instalações foram bem sucedidas, até onde minha memória alcança :-). E novamente eu fiquei bastante satisfeito com minha ida à UNESP de Rio Claro!

Entretanto, nuvens negras estavam se aproximando, e minha alegria duraria pouco...

Install Fest: missão UNICAMP

Há alguns anos começaram a surgir notícias sobre um novo sistema que substituiria a BIOS, permitindo muito mais flexibilidade durante o boot e inclusive adicionando camadas de segurança que protegeriam o usuário de vírus e outras ameaças. Esse sistema chama-se UEFI (e uma das tais "camadas de segurança" chama-se Secure Boot), e no ano passado ele ganhou muita notoriedade porque a Microsoft (R) anunciou que seu então novo sistema, o Windows (R) 8, só poderia ser utilizado em máquinas com UEFI. Isso causou uma corrida dos fabricantes de computador para adaptar-se a esse novo modelo (e ganhar o famigerado selo de compatibilidade da Microsoft (R)), e gerou incoformismo em boa parte das comunidades envolvidas com Software Livre e/ou Open Source.

Resumindo, o grande problema desse novo esquema é a necessidade de uma chave criptográfica assinada por uma autoridade certificadora para que o sistema operacional seja iniciado. Essa é a segurança que o Secure Boot provê, e o único jeito de obter uma chave assinada é... (tambores)... pagando à Microsoft (R)!

Até onde eu sei, o Microsoft (R) Windows (R) 8 não funciona caso o Secure Boot esteja desabilitado (um meio perfeitamente válido de instalar uma distribuição GNU/Linux que não possui a tal chave criptográfica), então a distribuição é obrigada a compactuar com esse esquema caso queira oferecer a opção de dual-boot ao usuário. E atualmente, as duas únicas distribuições que oferecem isso são o Fedora e o Ubuntu.

Bem, depois dessa sucinta explicação, começa aqui meu relato sobre o que aconteceu no Install Fest. No dia 13 de março de 2013, quarta-feira, nos reunimos no Instituto de Computação da UNICAMP para realizarmos a instalação de distribuições GNU/Linux. Novamente, eu levei vários DVDs do Fedora para serem utilizados pelos alunos ingressantes nos cursos de Ciência e Engenharia de Computação. Dessa vez não houve palestra introdutória sobre o Projeto Fedora, mas eu resolvi pegar 10 minutos e explicar as "regras" de um Install Fest. Também comentei sobre a má prática que algumas fabricantes de notebooks têm quando decidem entregar um disco rígido todo particionado e sem a possibilidade de adição de novas partições primárias. Dito isso, começamos a instalar.

Infelizmente, devido a diversos fatores como inexperiência, tempo curto para organização do evento, e erro na estimativa de quantas pessoas iriam ao evento, acabamos ficando com muita gente pra instalar e pouca gente pra ajudar. Não chegamos a fazer uma contagem oficial, mas eu suponho que pelo menos 20 pessoas estavam na sala querendo instalar o Fedora. E a grande maioria delas estava com notebooks novos, com Microsoft (R) Windows (R) 8, i.e., com UEFI e Secure Boot habilitados.

Conforme íamos reparticionando os discos e bootando os DVDs do Fedora, começamos a perceber que havia algo errado. Depois de terminar a instalação em algumas máquinas, notávamos que o sistema não iniciava. O que tínhamos que fazer, em alguns casos, era desabilitar o Secure Boot (mesmo assim, sem sucesso em alguns casos). E depois disso, o Fedora finalmente era iniciado, mas o Microsoft (R) Windows (R) 8 não aparecia na lista de sistemas operacionais do GRUB! Ou seja, era impossível fazer com que os dois sistemas convivessem na mesma máquina.

Tivemos alguns casos um pouco mais graves, mas que no fim foram resolvidos. E antes que você me pergunte qual foi a solução, eu respondo: reabilitamos o Secure Boot, e praticamente desfizemos a instalação do Fedora. Ou seja, a esmagadora maioria dos alunos presentes no Install Fest voltou pra casa com uma máquina sem Fedora ou qualquer outra distro GNU/Linux. Eu pessoalmente vi apenas 2 instalações bem sucedidas, apesar de que depois do Install Fest fiquei sabendo de mais.

Saí do evento bastante chateado, achando que a culpa havia sido nossa, e que os alunos nunca mais iriam querer instalar GNU/Linux nas suas máquinas. Mas depois de um tempo, coloquei as idéias em ordem e resolvi escrever este post. Não estou eximindo ninguém da culpa, creio que devíamos ter planejado o Install Fest um pouco melhor, e com certeza aprendemos com os erros que cometemos. Mas acho muito importante apontar alguns dedos e dizer o que realmente aconteceu.

Conclusões

A conclusão principal não poderia ser outra. É preciso tomar muito cuidado com essas novas tecnologias de boot. Quando for comprar uma máquina nova, é preciso prestar muita atenção a isso, pois essas novas tecnologias nada mais são do que armadilhas para tirar a sua liberdade de escolher o que quer executar na sua máquina. É preciso lutar contra essas imposições que as empresas fazem (não seja inocente pensando que é só a Microsoft (R) que está por trás disso...), e é preciso tomar conta da sua liberdade. Se quiser demonstrar ainda mais seu apoio contra essas imposições (e entender mais do porquê delas existirem), clique aqui e leia a página da Free Software Foundation sobre o assunto (e assine a petição também!).

Conclusões secundárias: um Install Fest (ou qualquer evento, na verdade) precisa ser organizado com antecedência, e precisa ter bastante gente disposta a ajudar nas instalações. Só assim as coisas fluem.

Agradecimentos

Não posso deixar de agradecer o Ricardo Panaggio por me ajudar indo até a UNESP de Rio Claro comigo! Ele também ajudou bastante no Install Fest da UNICAMP.

Também gostaria de agradecer ao Marcel Godoy e ao Centro Acadêmico da Computação da UNESP de Rio Claro pela organização e divulgação do Install Fest lá. Muito obrigado!

O Install Fest da UNICAMP só foi possível com a ajuda do Grupo Pró-Software Livre da UNICAMP, em especial ao Gabriel Krisman. O Ivan S. Freitas e o Raniere Gaia Silva também ajudaram no apoio logístico do Install Fest.

Por fim, gostaria de agradecer à comunidade Fedora pelo apoio com os DVDs. Obrigado a todos!


Olá a todos!

Finalmente consegui um pouco de tempo na minha agenda, e resolvi escrever no blog para anunciar a criação do grupo LibrePlanet São Paulo!

O que é o LibrePlanet

O projeto LibrePlanet teve início em 2006, durante a reunião de membros da FSF (a Free Software Foundation). Ele foi criado para ajudar a organizar maneiras de levar o movimento de Software Livre ao conhecimento da população em geral.

Os grupos são organizados geograficamente, e cada um é responsável por definir metas e estratégias visando fomentar o Software Livre na região. É importante deixar claro: o objetivo é trabalhar em prol do Software Livre, e não do open source. Para saber mais a respeito da definição de Software Livre, recomendo que leia este artigo.

O surgimento do LibrePlanet São Paulo

Essa história é um pouco longa, mas vou tentar resumir :-).

Tudo começou quando eu, Ricardo Panaggio, Ivan S. Freitas e Raniere Gaia Silva começamos a trocar alguns e-mails sobre assuntos como privacidade, software livre, soluções e serviços livres, etc. Eu e o Panaggio já estávamos nos sentindo muito insatisfeitos com os rumos que um grupo local, teoricamente "pró software livre", estava tomando (como quase tudo hoje em dia, o nome "software livre" está lá simplesmente porque ninguém se tocou de que devia ser "open source" ainda...). E essa insatisfação já vinha nos fazendo querer criar um novo grupo, fiel à ideologia do Software Livre, no qual pudéssemos dar nossas opiniões sem medo de sermos esmagados por uma maioria que não se importa com "essas coisas".

Bem, começamos a conversar, e logo o Ivan e o Raniere deram sinais de que eles topariam participar do grupo, sem problemas. Portanto, o solo já estava fértil para novas idéias :-).

Um dia, eu acordei e vi na minha INBOX uma mensagem do Raniere dizendo que havia encontrado algo sobre um projeto interessante, o LibrePlanet, na Internet. Foi a faísca que faltava pra começar a movimentação! Recordei-me de que eu já havia conversado com o Matt Lee, também da FSF, sobre o LibrePlanet, e depois de uma rápida busca na wiki do projeto, vi que ainda não havia nenhum grupo brasileiro. Então, depois de alguma conversa interna, decidimos criar um grupo para o Estado de São Paulo.

Hoje, pouco mais de 2 semanas depois da criação, contamos com 10 membros cadastrados na Wiki, e aproximadamente 7 membros ativos no nosso canal de IRC. Também temos uma lista de discussão, e já estamos começando a conversar sobre possíveis projetos para 2013.

Como você pode fazer parte do grupo?

É simples! Siga os seguintes passos:

  1. Entre na nossa Wiki, e leia todas as informações presentes lá antes de qualquer coisa!
  2. Depois disso, efetue a criação de seu usuário na FSF, indo até este link de cadastro e preenchendo as informações. Repare que você não precisa tornar-se membro da FSF (os membros são pessoas que contribuem financeiramente com a Fundação), mas se você puder, iria ser bem legal :-).
  3. Ok, agora que você já possui um usuário, efetue o login na Wiki do LibrePlanet, e crie sua página pessoal lá. Para isso, vá até este link, clique no link Edit, e insira algumas informações sobre lá. Se quiser, utilize minha página pessoal como exemplo. É importante que você insira, no final de todo o conteúdo, a seguinte linha: {% raw %}{{user SP}}{% endraw %}. Ele faz com que você passe a pertencer ao grupo LibrePlanet de São Paulo.
  4. Agora, é importante que você também efetue sua inscrição na nossa lista de discussão. Vá até esta página de inscrição e preencha as informações necessárias! Também recomendamos fortemente que você envie uma mensagem de apresentação para a lista. Nada formal, só para termos uma idéia do tamanho do grupo!
  5. Ufa, último passo! Se você utiliza IRC e frequenta a rede Freenode, entre no nosso canal: #lp-br-sp! É lá que a maior parte das discussões acontece, então seria muito legal se você também pudesse participar delas!

Acho que é isso :-). Se você ainda tiver alguma dúvida sobre qualquer assunto tratado neste post (objetivos do grupo, inscrição, etc), ou se quiser fazer algum comentário, sinta-se à vontade!

Saudações livres!


Nesta última sexta-feira, dia 30/11/2012, estive presente na sétima edição do SoLiSC 2012, em Florianópolis, para apresentar uma palestra introdutória sobre o GDB. Este é um relato sobre minha particição no evento :-).

Impressões sobre o evento

Foi a primeira vez que fui ao SoLiSC. Já tive vontade de ir em anos anteriores, mas infelizmente sempre havia algo para atrapalhar. No entanto, nesse ano felizmente tudo correu bem, e inclusive tive uma palestra aceita! Ou seja, um ótimo motivo para visitar Floripa e rever o mar :-D.

Peguei um vôo saindo às 6h de Campinas, e cheguei lá às 7h10min. Estava bastante cansado, pois não havia dormido de quinta pra sexta, só que a ansiedade estava conseguindo me deixar ligado :-).

O evento aconteceu Universidade Estácio de Sá, que fica em São José. Cheguei por lá às 8h, e fui bem recebido pelo pessoal do evento. Já tentei me enturmar, e conheci algumas pessoas que também iam palestrar no evento. Como minha palestra estava marcada para começar às 14h, resolvi ficar batendo papo e de olho na grade de palestras.

Por coincidência (ou não!), acabei ficando na sala onde aconteceria o primeiro LibreOffice Hack Day no Brasil. Acabei ficando na sala o dia todo, ajudando o pessoal a resolver alguns problemas chatos com o firewall da Universidade, e depois com git. Foi uma experiência muito legal, nunca tinha participado de um Hack Day antes, e foi uma honra poder presenciar e ajudar no primeiro evento do tipo que o pessoal do LibreOffice fez no Brasil :-). Aliás, foi muito interessante conhecer um pouco mais sobre um projeto tão grande e complexo quanto o LibreOffice, e inclusive fiz um "jabá" sobre o GDB para eles :-).

No final, também conheci algumas pessoas muito interessadas em contribuir com projetos de software livre, o que é sempre bom! Isso me ajuda a ter mais motivação para continuar a fazer esse trabalho de divulgação. Você pode ler uma descrição mais detalhada sobre o LibreOffice Hack Day (inclusive com fotos) aqui.

Apresentação "GDB Crash Course"

Eu já estava esperando pouca gente na palestra, até porque falar sobre o GDB está ficando cada vez mais complicado... As pessoas em geral não sabem (e nem se interessam) pelo software, então é normal ficar meio "de escanteio" nesses eventos :-). Quem sabe um dia eu não escreva um post sobre isso?

Bem, mas mesmo com pouco público, creio que palestra correu bem. Dessa vez, meu amigo Edjunior não foi, então levei a palestra sozinho :-). Existem vantagens e desvantagens nisso, mas de modo geral acho que a palestra ficou um pouco mais rápida.

Adicionei alguns slides extras para falar sobre a Red Hat, e sobre o que estamos fazendo pelas comunidades de software livre por aí -- não só na do GDB, mas também em muitas outras. Essa parte da apresentação realmente foi bacana, porque o orgulho de se trabalhar nessa empresa é grande!

Depois que terminei minha palestra e voltei à sala do LibreOffice Hack Day, alguns desenvolvedores que estavam por lá me perguntaram como foi, e disseram que tinham se arrependido de não ter ido... Sabe como é, preferiram ficar fazendo patches, então eu entendo :-P. Bem, pra não deixar ninguém insatisfeito, acabei fazendo uma segunda rodada da palestra dentro do Hack Day, e também foi muito bacana :-).

Várias pessoas me pediram os slides, então aqui estão eles:

Conclusão

Gostaria de agradecer especialmente à Eliane Domingos, ao David Jourdain e ao Olivier Hallot, todos membros da TDF e contribuidores do LibreOffice, pelos momentos prazerosos e pelas conversas divertidas que tivemos durante todo o evento!

Também gostaria de agradecer à organização do SoLiSC pela oportunidade de participar de um evento tão bacana! O Klaibson Ribeiro foi a pessoa com quem troquei alguns e-mails antes do evento, então um "muito obrigado" a ele também :-).

Nos vemos no próximo SoLiSC!


Conforme eu havia comentado no post anterior, segue o relato sobre as apresentações que fiz na Semana da Computação da UNESP de Rio Claro.

TL;DR: Gostei de ter tido a oportunidade de dar as apresentações, e principalmente de ter feito minha primeira palestra como Embaixador do Projeto Fedora no Brasil. Sobre a palestra a respeito do GDB, também gostei do jeito que ela foi conduzida. Notei algumas falhas que precisam ser corrigidas, mas no geral a experiência foi muito boa.

Apresentação "O Projeto Fedora"

Foi a primeira apresentação da noite, de acordo com a grade de programação. Começou meia hora atrasada, pois a organização pediu para esperarmos mais pessoas chegarem (estava chovendo bastante no momento, o que dificultou a locomoção).

Comecei a palestra falando um pouco sobre o Projeto Fedora. Acabei passando rapidamente pelas origens do projeto, uma falha que pretendo corrigir em próximas ocasiões. Dei muita ênfase na definição de comunidade e no que isso significa quando lidamos com software livre. Confesso que fiz algumas comparações com o Ubuntu, o que talvez não tenha sido uma boa idéia (de acordo com os guidelines do Projeto Fedora para Embaixadores). De qualquer modo, a mensagem foi passada e notei que algumas pessoas se interessaram em conhecer mais a respeito do projeto e da filosofia.

Pontos positivos: Creio ter conseguido informar as pessoas a respeito do projeto, com a ajuda dos ótimos slides do Paul W. Frields. É sempre gratificante dar palestras, mesmo que apenas uma ou duas pessoas no final acabem se interessando de verdade. Além disso, me senti bem por estar divulgando um projeto que respeita as liberdades dos usuários (ou pelo menos tenta fazer isso ao máximo), e que eu realmente uso e gosto.

Pontos a serem melhorados: Fazer uma palestra um pouco menos "pessoal". É muito difícil conseguir isso, mas tenho a forte impressão de que minha orientação totalmente pró-software-livre acaba (às vezes) afastando algumas pessoas, que vêem no entusiasta por software livre uma pessoa "radical" e "xiita". Preciso pensar um pouco a respeito do assunto...

A conclusão é que fiquei bastante satisfeito com o resultado da palestra. Percebi que, depois dela, algumas pessoas vieram comentar que estavam utilizando Fedora, ou que já andavam pensando em trocar de distribuição, que agora o Fedora era uma opção. O objetivo foi cumprido :-).

Apresentação "GDB Crash Course"

Creio que essa já é a quarta vez que apresento essa palestra, e a terceira vez junto com meu amigo Edjunior. Sempre que ela termina, fico(amos) com a impressão de que ainda não acertamos no ponto, e dessa vez não foi diferente.

A palestra começou em ponto, às 21h, e decidimos tentar uma abordagem um pouco diferente. A última vez que apresentamos a palestra foi no evento da Semana Integrada da PUC Campinas. Naquela ocasião, tínhamos optado por começar falando mais sobre os comandos do GDB, e depois mostrarmos como a coisa funciona, estilo hands-on. Dessa vez, resolvemos ir mostrando a prática junto com a teoria. Ficou melhor, e acho que a apresentação ficou mais fluida, mas ainda assim esbarramos no velho problema da interdependência dos comandos: quando íamos falar sobre breakpoints, precisávamos ter mostrado algum outro comando que só iria ser explicado mais à frente, que por sua vez iria precisar de outro comando, que iria precisar de breakpoints, etc. Enfim, no final acabamos sendo obrigados a pular alguns comandos, e a adiantar a explicação de outros, quebrando um pouco o fluxo dos slides.

Notei que algumas pessoas estavam bastante interessadas no GDB, talvez por já programarem há algum tempo. As outras, aparentemente, ainda não conseguiam ver muita utilidade para um depurador, mas mesmo assim tentavam aprender algo que talvez fosse lhes servir no futuro.

Já era de se esperar, mas mesmo assim não deixo de me surpreender quando vejo que uma palestra técnica consegue atrair muito mais atenção do que uma palestra "filosófica", como foi a do Projeto Fedora. Talvez seja reflexo da sociedade em que vivemos, ou talvez seja apenas uma impressão errônea da minha parte.

A conclusão, finalmente, é que a palestra parece ter sido útil para algumas pessoas (mesmo que poucas), e isso nos dá ainda mais fôlego pra continuarmos tentando divulgar esse projeto pouco conhecido (mas muito útil) que é o GDB.

Agradecimentos

Não poderia deixar de agradecer primeiramente à organização da SECCOMP da UNESP de Rio Claro pelo ótimo evento. Fiquei surpreso com a infra-estrutura e, principalmente, com a receptividade das pessoas. Gostei muito do ambiente descontraído, e espero não ter decepcionado muita gente por lá com meus comentários informais e caipiras durante as palestras :-).

Também agradeço ao meu amigo Edjunior por ter me acompanhado até sua alma matter para me ajudar na realização da palestra sobre o GDB.

Até a próxima!


Hoje, dia 23/10/2012, estarei na UNESP de Rio Claro para dar duas apresentações na Semana da Computação.

A primeira palestra será sobre o Projeto Fedora. Vai ser a primeira vez que falarei sobre o projeto depois de ter me tornado Embaixador do Fedora no Brasil. Confesso que estou um pouco apreensivo, mas escolhi slides muito bons feitos pelo Paul W. Frields, ex-líder do Projeto e bastante competente em suas apresentações. Pretendo fazer um relato sobre a palestra na quarta-feira.

A segunda apresentação será sobre o GDB. Essa apresentação vai ser mais um crash course sobre como utilizar a ferramenta, e os slides estão disponíveis em https://github.com/sergiodj/gdb-unicamp2011.

Espero que ambas as palestras sejam bem recebidas pelo público! Volto depois pra contar como foi :-).

Abraços.