Reflexões de um ativista -- Parte 01

Nesse último fim de semana, durante os dias 20 e 21 de Setembro (sexta-feira e sábado, respectivamente), ocorreram dois eventos sobre Software Livre na UNICAMP. Um deles, o Upstream, foi um “evento teste” que ajudei a organizar junto com o Cascardo e o Leonardo Garcia, ambos do LTC/IBM. O outro, o Software Freedom Day (SFD), eu organizei em nome do LibrePlanet São Paulo. Durante os dois eventos (e principalmente durante o SFD) eu fiquei pensando e refletindo bastante sobre vários assuntos relacionados (ou não) com o Software Livre. Resolvi, então, aproveitar a oportunidade e escrever um pouco sobre essas opiniões.

Antes, um breve relato dos dois eventos. Gostei parcialmente do resultado que obtivemos com o Upstream. Acho que a qualidade dos palestrantes foi ótima, e as discussões tiveram um nível muito bom. No entanto, os workshops deixaram a desejar. Pelo pouco que pensei a respeito, cheguei à conclusão de que faltou organização para definirmos os assuntos que iriam ser abordados, e principalmente o melhor modo de abordá-los. Assumo minha parcela de culpa nisso, afinal eu tentei ajudar na organização do workshop de toolchain e ele não saiu do modo como esperávamos. Problemas na infra-estrutura do local também atrapalharam no resultado final. Mas, de modo geral, e levando em conta que essa foi a primeira edição do evento, acho que conseguimos nos sair razoavelmente bem. Certamente já temos muitas coisas pra pensar e melhorar para a próxima edição!

Já sobre o SFD, apesar de várias pessoas muito boas terem participado do evento, a minha impressão inicial (e forte) foi a de que fazer a sociedade se interessar (ou ao menos ouvir, se bem que os dois conceitos são intrinsecamente ligados) por assuntos que são de suma importância para a manutenção (ou, no caso, a restauração) de um Estado que a respeite é mais difícil do que eu pensava. E essa é também a primeira reflexão do post.

Indignação x Ignorância

Há um conflito muito grande acontecendo com as pessoas. Provavelmente ele não é “de hoje”, mas de qualquer modo ele existe e precisa ser resolvido. O conflito, do modo que vejo, pode ser resumido da seguinte forma: “até que ponto eu quero sentir indignação sobre um assunto, de modo que eu não precise necessariamente tomar alguma atitude sobre ele?”. Ou seja, a pessoa opta voluntariamente por permanecer na ignorância parcial, para que ela não se sinta obrigada a tomar uma posição sobre determinado problema que a atinge.

Tomemos o exemplo do Facebook. Alguém que tenha uma conta lá (i.e., “quase todo mundo”) prefere se manter na ignorância sobre os termos de serviço e privacidade que o site possui. Não estou entrando no mérito de operações clandestinas de espionagem; estou falando sobre os textos disponíveis no site do Facebook e que explicam (talvez não de maneira muito clara, mas isso já é outro problema) o que o site faz e não faz a respeito dos seus dados. É uma opção. É mais fácil apenas usar o site, compartilhar imagens engraçadas com seus mil “amigos”, e não olhar para uma questão que deveria ser muito mais importante do que qualquer “like” que possa ser dado.

Não sou sociólogo e estou longe de poder dar opiniões acadêmicas sobre esse assunto, mas tenho a impressão de que o que acontece é um “retardo social” na maioria dos cidadãos deste planeta. Não deixa de ser um paradoxo o fato de que esse comportamento é exacerbado através de uma “rede social”, que se traveste de facilitadora de comunicações entre indivíduos para poder exercer a derradeira função de uma empresa: ganhar dinheiro. É importante frisar que não sou contra “ganhar dinheiro”, mas sou contra vários meios que são usados pra atingir esse objetivo.

No final, o produto somos nós, ou nossa privacidade. E quando eu digo “nós” ao invés de “eles”, é porque eu fiz uma outra reflexão…

Privacidade é um “bem” coletivo

Pode parecer paradoxal à primeira vista, mas pare e pense um pouco. A privacidade é sim um direito do indivíduo, mas quando você opta por não tê-la, você está fazendo essa opção em nome de todas as pessoas que se comunicam com você. Afinal, se você não se importa se alguém está lendo suas mensagens, então qualquer tipo de comunicação que chega até você pode e vai ser lida. E se essa comunicação partir de alguém que preza pela própria privacidade, não vai fazer diferença alguma: a mensagem será lida de qualquer jeito, porque você escolheu isso.

Estou acostumado a ouvir pessoas dizerem que elas não são tão importantes a ponto de despertarem interesse em algum governo para que ele queira espioná-las. “Portanto”, dizem as pessoas, “não preciso me preocupar”. Bem, acho que esse argumento não invalida de maneira alguma o fato de que proteger a própria privacidade é importante. Não interessa o quão público alguém é; se ele não preza pela sua privacidade, ele está abrindo mão de algo que afeta direta ou indiretamente várias pessoas.

O meu ponto aqui é simples. Faça a sua parte e proteja a sua privacidade. Ninguém vai fazer isso por você, mas todos precisam e podem fazer suas respectivas partes. É um trabalho em conjunto, mas que depende da cooperação de todos. Se alguém perto de você não se importar, você provavelmente vai ser prejudicado.


A era da mediocridade

Eles escrevem em paredes. Mas são digitais, dentro de muros ainda mais altos, controlados por uma ou mais empresas, tendo a ilusão de ótica de estarem se organizando por um bem maior, quando na verdade não passam de fantoches. Seja bem vindo ao planeta Terra, ano de 2013, século XXI. Vou falar um pouco sobre o que está acontecendo nesta realidade em que, fortuitamente ou não, estou inserido – mesmo sem participar.

Este post não pretende ser nada além de um post. Não vai ter links, referências, nem nada. É só uma descarga mental.

Eric Hobsbawm provavelmente ficaria em dúvida se decidisse lançar mais um dos seus inestimáveis livros sobre Eras, que falasse sobre esse período que a humanidade está vivendo desde idos da década de 80 ou 90. A dúvida, superficialmente, seria simples: uma palavra que definisse, talvez não de modo unívoco mas ainda assim de maneira contundente, a dita Era. No entanto, se analisássemos a questão de modo um pouco mais profundo, veríamos que as opções para a tal “palavra” seriam muitas, e muito ruins.

Hobsbawm não está mais entre nós. Mas isso não deixa a dúvida menos incômoda. Vivemos várias eras em uma só, a da mediocridade (que foi a palavra escolhida como título do post, mas apenas porque foi a primeira que me veio à mente), a era do egoísmo e do individualismo, a era do descaso, a era da burrice coletiva, a era da falta de compromisso, da falta de interesse, da falta de amor, da manipulação, da vontade de ser manipulado.

Recentemente, no Brasil, estamos vendo manifestações populares pipocando a torto e a direito. Pessoas diversificadas dentro de uma mesma classe média saem às ruas com bandeiras, hinos e muito partidarismo disfarçado. As reivindicações são muitas, de esdrúxulas a absurdas, passando pelo generalismo e falta de argumentos. O que querem esses caras pintadas, esses brasileiríssimos filhos com máscara hollywoodiana gritando frases de propagandas de televisão? Essas pessoas instruídas a colocarem expressões em hashtags em cartolinas? Esses cidadãos exemplares e sociais nas redes?

Acordar, acordar mesmo, é uma expressão muito forte. Há que se tomar cuidado com o orgulho cego que nos lança luzes fortíssimas na cara a fim de nos fazer acreditar que daqui pra frente, tudo vai ser diferente. E essa falsa certeza absolutamente irrefutável, que é cada vez maior quanto mais nos enfiamos nesses meios de comunicação dessa era em que vivemos, é perigosa como qualquer outro dogma inquestionável.

De um lado, já sabíamos há muito tempo que um governo ditatorial como o dos Estados Unidos espiava e ainda espia tudo o que lhe convém. Já sabíamos, mas mesmo assim só vejo pessoas surpresas com essa cortina de fumaça (sim, existe um motivo maior pra essa história toda vir à tona) jogada sobre nós. Parece que precisavam de um nome, e PRISM caiu bem, lembra um pouco aqueles mega computadores de livros de ficção científica, medonhas máquinas que só sabem usar números pra matar. Então agora, já que temos um bom nome, todos aqueles que antes tinham se esquecido da espionagem agora dizem que “deixou de ser teoria (da conspiração)”. Deixou? Já foi? Ou era você que não queria ver? Que se esquecia, porque convinha?

De outro, temos os rueiros, manifestantes que, imbuídos de um espírito que quer lutar por mais justiça e, consequentemente, liberdade, abusam de um Facebook (ou “face”, praqueles que possuem a síndrome de Estocolmo) para organizarem coisas, para combinarem festas, para encontrarem parceiros, para viverem (ou terem essa ilusão). Fantoches, que se colam nas mãos de uma empresa, que não querem sair, criam dependência e subserviência, e assim acham que se tornam mais brasileiros.

No centro, o nada. O vazio. A coisa-nenhuma, amiga inseparável e confidente desses tempos que vivemos. Vácuo e zero se fundem num emaranhado de matéria e anti-matéria. Nenhuma energia se cria, toda energia é consumida e transformada nessa roda-viva teatral que nos leva de volta ao começo do fim. Todos os posts são perdidos, todos os likes são pedidos, todos na rua porque hoje é mais um dia como outro qualquer e diferente de tudo o que já foi.

Quando penso no que éramos e no que nos tornamos, choro por todos os motivos conhecidos e que ainda hei de conhecer. Estamos na descida, e eu ainda não vejo o fundo do vale.


Relato: FAD SP 2013

Estava devendo este post há 1 semana pro meu amigo Leonardo Vaz! Desculpaê, Leo :-).

Vou tentar fazer um (breve?) relato sobre o Fedora Activity Day (ou simplesmente FAD), que aconteceu em São Paulo no dia 1 de Junho de 2013, mais conhecido como sábado retrasado :-). Se quiser ver a página de organização do evento (em inglês), clique neste link aqui.

Chegada em Sampa

Bem, como sou um ex-embaixador do Fedora novato, inexperiente, e que não faz nada da vida (ao contrário de vários ex-colegas que participam há anos como embaixadores contribuindo solidamente para o bem comum e sem deixar a peteca cair), eu resolvi levar os DVDs do Fedora que estavam comigo para que o Leo e o Itamar (e quem mais estivesse por lá!) pudessem se encarregar de redistribuí-los antes que eles perdessem a “validade”. Saí cedo de Campinas, e com uma São Paulo sem trânsito nem problemas, consegui chegar no escritório da Red Hat às 9h e pouco.

Conheci (e reconheci!) algumas pessoas por lá, entre colegas de trabalho da empresa, embaixadores/contribuidores do Fedora, e entusiastas que estavam lá pra conhecer melhor e ver qual era a do evento. Certamente foi uma tarde/noite proveitosa em termos de contatos pessoais!

Palestras

Depois de um atraso no início do evento, o Leo começou apresentando uma palestra sobre o projeto Fedora (e seus sub-projetos, como o de embaixadores, por exemplo). Mesmo com boa parte (senão todos!) dos presentes já fazendo parte do projeto de algum jeito, ainda assim a palestra foi um momento legal pra que algumas discussões e reflexões acontecessem. Considero que a maior parte da “nata” da comunidade estava naquela sala (com óbvias exceções como o Fábio Olivé, o Amador Pahim, e outras pessoas cujos nomes não vou ficar citando porque estou com preguiça de pensar em todos!). Portanto, acho que o plano do Leo (que é o de revitalizar a comunidade Fedora no Brasil, principalmente a de embaixadores) começou com os dois pés direitos (se é que isso é possível!).

A idéia inicial era de que cada palestra durasse 1 hora, mas é claro que com tanto assunto pra tratar a palestra do Leo durou muito mais que isso! No fim das contas, quando a palestra terminou já era hora do almoço :-). Como não poderia deixar de ser, o papo continou na cozinha, e foi lá que pude conhecer melhor o pessoal que estava presente. Foi bem legal :-).

Bem, com a bateria carregada, era hora do segundo ciclo de palestras! O Leo pediu pra que eu apresentasse um pouco da minha experiência com o GDB, tanto na parte de lidar com a comunidade upstream, quanto na hora de focar no desenvolvimento de funcionalidades para o Fedora (ou para o Red Hat Enterprise (GNU/)Linux). Eu não tinha preparado nenhum slide, e fui com a cara (de pau) e a coragem tentar bater um papo com a galera ;-). Aqui está uma foto na hora da palestra (reparem na pose, no garbo e na elegância do palestrante):

Apresentação do GDB

Acho que consegui passar uma idéia de como é o meu dia-a-dia trabalhando com o GDB e navegando entre os mares upstream e empresarial. Algumas pessoas fizeram algumas perguntas (o Maurício Teixeira inclusive fez perguntas técnicas!), e felizmente minha palestra durou bem menos do que a do Leo! Eu certamente não tinha tanto assunto pra tratar :-P.

A última atividade do dia foi um hands-on que o Itamar fez sobre empacotamento RPM. Foi legal, e acho que deu pro pessoal ter uma noção de que empacotar pro Fedora não é um bicho de sete cabeças. Inclusive, se você estiver interessado em saber mais, sugiro que dê uma olhada na página wiki que ensina o básico disso, e não se sinta envergonhado de enviar suas dúvidas pras listas de desenvolvimento do Fedora!

Após esse how-to ao vivo, e levando em conta o horário avançado (mais de 19h) e o cansaço do pessoal, decidimos finalizar o evento. Na verdade, ainda ficamos discutindo bastante sobre vários pontos importantes da comunidade, os problemas vivenciados (sim, existem problemas, a não ser que você viva num mundo encantado ou não se envolva o suficiente pra notá-los, mas aí é só pedir pra alguém traduzir o que está acontecendo e talvez você entenda), e as possíveis soluções. Acabei saindo de Sampa quase 20h30min, mas achei que valeu muito a pena ter ido!

Conclusões

A conclusão pessoal é que eu estava mesmo precisando ir a eventos e conhecer pessoas novas! Acho isso muito legal, é um combustível pra fazer mais coisas e ter mais idéias.

A conclusão na parte da comunidade é a de que o Leo vai conseguindo aos poucos mudar a mentalidade do Fedora Brasil. Não me arrependo de ter dado um tempo no sub-projeto de embaixadores, e estou achando muito legal ver as ações do Leo & cia. para mudar as coisas. Têm meu total apoio!

Agradecimentos

Esse evento certamente não teria acontecido sem o incansável Leonardo Vaz. Ele merece todos os agradecimentos e toda a admiração da comunidade (inter)nacional do Fedora por isso, sem dúvida. Se você estiver lendo este post, tiver alguma relação com o Fedora, e for ao FISL este ano, pague uma cerveja (ou suco!) a ele, porque ele merece.

Também queria agradecer ao pessoal que foi ao evento. É sempre bom ver gente que se preocupa de verdade em melhorar algo, que não fecha os olhos para os problemas que estão acontecendo, e principalmente que se dispõe a aprender algo novo. Foi gratificante ter conhecido pessoas como o Germán, um astrofísico argentino que mantém dois pacotes em Python no Fedora sem querer nada em troca! Ou tipo o Hugo Cisneiros, envolvido no mundo GNU/Linux há tanto tempo quanto aquele cabelo dele levou pra crescer :-P.

E vida longa ao Software Livre!


GDB and SystemTap integration improving linker-debugger interface

It is really nice to see something you did in a project influence in future features and developments. I always feel happy and proud when I notice such scenarios happening, and this time was no different. Gary Benson, a colleague at Red Hat who works in the GDB team as well, has implemented a way of improving the interface between the linker and the debugger, and one of the things he used to achieve this is the GDB <-> SystemTap integration that I implemented with Tom Tromey 2 years ago. Neat!

The problem

You can read a detailed description of the problem in the message Gary sent to the gdb-patches mailing list, but to summarize: GDB needs to interface with the linker in order to identify which shared libraries were loaded during the inferior’s (i.e., program being debugged) life.

Nowadays, what GDB does is to put a breakpoint in _dl_debug_state, which is an empty function called by the linker every time a shared library is loaded (the linker calls it twice, once before modifying the list of loaded shlibs, and once after). But GDB has no way to know what has changed in the list of loaded shlibs, and therefore it needs to load the entire list every time something happens. You can imagine how bad this is for performance…

The solution

What Gary did was to put SDT probes strategically on the linker, so that GDB could make use of them when examining for changes in the list of loaded shlibs. It improves performance a lot, because now GDB doesn’t need to stop twice every time a shlib is loaded (it just needs to do that when stop-on-solib-events is set); it just needs to stop at the right probe, which will inform the address of the link-map entry of the first newly added library. It means GDB also won’t need to walk through the list of shlibs and identify what has changed: you get that for free by examining the probe’s argument.

Gary also mentions a discrepancy that happened on Solaris libc, which has also been solved by his patch.

And now, the most impressing thing: the numbers! Take a look at this table, which displays the huge improvement in the performance when using lots of shlibs (the time is in seconds):

Number of shlibs 128 256 512 1024 2048 4096
Old interface > 0 > 1 > 4 > 12 > 47 > 185
New interface > 0 > 0 > 2 > 4 > 10 > 36

Impressive, isn’t it?

Conclusion

This is one the things I like most in Free Software projects: the possibility of extending and improving things by using what others did before. When I hacked GDB to implement the integration between itself and SystemTap, I had absolutely no idea that this could be used for improving the interface between the linker and the debugger (though I am almost sure that Tom was already thinking ahead!). And I can say it is a pleasure and I feel proud when I see such things happening. It just makes me feel more and more certain that Free Software is the way to go :-).


So long, Ambassadors...

No, I am not leaving the Fedora Project, I am just leaving (or taking a break, depending on how you look) its Ambassadors program. I am still the co-maintainer of the GDB package, and will contribute to the development of the distribution since it is also my job. However, after a few months trying to become more involved with the Fedora community (specifically with the Brazilian/LATAM community), I became so disappointed that the only logical action for me now is to step back.

My brief history

I joined the Ambassadors program on October, 2012. After having used the system heavily for almost 3 years, I decided that it was about time to pay something back to the community too. Since I live in Brazil, I joined the the brazilian team of Ambassadors (which meant that I was also part of the Latin America team). Thanks to my friend Leonardo Vaz (from Red Hat), I talked to Daniel Bruno who then became responsible for “mentoring” me.

The brazilian community was (and still is) very inactive (compared to others, and to itself a few years ago), but I was very excited and decided to try to revive it. And the first task that I assigned myself was to regain control of the brazilian and LATAM domains.

The domains

Alejandro Perez, a very nice guy from Panamá responsible for LATAM’s money, asked me to talk to Rodrigo Padula, an inactive Fedora Ambassador from Brazil, about the domains. Padula was a very active member of the brazilian community since 2006 if I’m not mistaken, but due to reasons beyond my knowledge is inactive in the Fedora community for quite some time now (he’s still very active in the Mozilla community, however). And he owns both domains.

Alejandro was worried because the LATAM domain had suffered some sort of outage during some days, which is obviously bad for the project. He was also concerned (and I totally agreed with him on this) because those domains shouldn’t be owned by a person (rather, it should be registered on behalf of the Fedora Project or, ultimately, Red Hat), specially if this person is now inactive.

To make a long story short, I spent more than 1 month doing the indirection and talking to both guys about this issue. Padula initially said he could transfer the domains without problem, but then changed his mind and said he wouldn’t do it. On the other side, Alejandro was getting upset because Padula did not want to make the transfer, and the LATAM community was pressuring him. In the end, I totally gave up, and the LATAM guys registered yet another domain, but right now are still using the old domain. Yes, a mess.

Working with LATAM

Anyway, after this episode, and after witnessing how active the LATAM community was in contrast with the brazilian community, I decided to work directly with them. I wanted to do something, and I was eager to start working as a real ambassador, spreading the word about Fedora everywhere. And my friends from Panamá, Argentina, México, Venezuela, etc., seemed the right people to work with.

So I started attending the weekly meetings on #fedora-latam, at Freenode, every Wednesday night. It is a well-organized meeting (run by Alejandro), whose main goal is to vote tickets from LATAM ambassadors (including brazilians). Tickets are basically requests made through a Trac instance, and are used to ask for swags, media, sponsorship for travels, etc. The Fedora Project has a budget, and the LATAM region gets a fraction of this budget for annual expenses, so our job as ambassadors was to vote those tickets and decide whether they deserve to be approved or not, according to some rules inside the project.

Keep in mind: we are dealing with money here. It’s not yours nor mine, but it’s still money that should be used to promote a project that embraces open source initiatives (unfortunately, I cannot say Fedora is Free Software, but that is a topic for another post).

So, after some weeks working with the LATAM guys, I became the default owner of Trac tickets from brazilian ambassadors. And a few more weeks down the road Alejandro asked me to produce media (Fedora DVDs) and be resposible for distributing them in Brazil. I spent a lot of time ordering the medias (I had to travel to São Paulo in order to make sure everything was OK), and every time an ambassador requests Fedora DVDs I go through a series of steps (link in pt_br) to guarantee that she gets her media and I get my reimbursement.

I also like to give talks and presentations about the project, and so I’ve attended some events (or organized them) just to be able to do that. I have posted some reports about them in this blog, you can find them in the archives (if you can read in pt_BR).

So, enough of self-promotion: why I am leaving the ambassador’s program after all?

Disappointment

A few things started to happen:

  • During the weekly LATAM meetings, it bothered me to see that the tickets were being approved without any kind of serious discussion. Everyone (including myself!) was just giving “+1” to everything!
  • FISL, the biggest open source (no, it is not about Free Software!!) event in LATAM, is going to happen on July. Suddenly, new brazilian ambassadors were popping out of nowhere, and inactive ambassadors were pretending to do something.
  • As a consequence, we received 9 sponsorship requests in our Trac. Some from active people, some not.

Something that I should have noticed before became crystal clear to me: some people are there just to take advantages for their own. They are not interested in the project, in the philosophy (yes, you can laugh at my face now…), in the promotion of the ideals, etc. They just want free lunch. And they get it…

During the last meeting I attended, two weeks ago, we were going to vote the FISL tickets. A few days before the meeting, I sent the following message to the LATAM Ambassadors list:

Hi there,

This message is just to let you know that we will be discussing several FISL tickets in our next meeting, May 8th. You can take a look at the meeting agenda by going to:

https://fedorahosted.org/fedora-latam/report/9

I would like to ask everyone to read the requests and make your decision based on merits, please. In my opinion, only active ambassadors should receive the honor of being sponsored by Fedora to go to FISL14. Let’s not spend money unnecessarily, so try to avoid the “+1” wave when voting for the tickets.

Thanks a lot,

–Sergio.

As I said, some tickets were filed by inactive ambassadors, and I wanted us to at least discuss the matter with him/her, showing that we were not happy with his/her conduct. It is one thing when you have personal problems and have to step away from the project for a while; it is another different thing when you disappear without saying a word and then comes back to request sponsorship for travel.

We began the meeting by discussing tickets filed by active members, and approving them without thinking much about it. However, eventually we got to the problematic ones. There is this specific guy, whose name I will not mention here, who was very absent since I started in the project, and I felt the need to point that out. I told him I hadn’t seen him in quite a while, and explained that there were many ambassadors doing things for Fedora. He’s a long term contributor to the project, as he himself told me in a not-so-friendly tone during the meeting. But that was not the subject of the discussion, and while he kept saying how hard he worked for the project in the last 5 years, or how much he’s done for this or that, I remained silent and began to think: what the hell am I doing? Why am I wasting my time in a Wednesday night to convince a group that someone maybe doesn’t deserve the credit he’s asking for? Well, the only reasonable answer was: because I feel it is the right thing to do. But nobody said a word during this discussion, and I started to feel something else. I felt that people were not interested in evaluating how much this guy (or anybody else, for that matter) really did for the project! And the feeling was corroborated when someone else said: “Hey, let’s just approve the ticket now, we can continue the discussion later”. WHAT????. Let me see if I get it: we are here to discuss, reach a consensus, and vote. You want to approve, maybe discuss, fuck the consensus. Well…

I left before the end of the meeting, but I still managed to see this behaviour explained by some people: there was enough money to approve all tickets, so the meeting was just a formality needed to explain the expenses later. I was at least fully convinced that I did not belong there.

Not my place

If you are part of a team and you disagree with its members, I believe you have two choices most of the time: you can either (a) discuss with them, try to understand their reasons for being different, try to explain yours, see what you can do to overcome this, or (b) leave it. Sometimes I choose one, sometimes another. This is the time for (b). I don’t want to spend more time and energy into something that doesn’t work the way I think it should. I don’t feel motivated to fight against the tide, because I am not so strong and the tide keeps getting bigger and bigger. And I also don’t want to stop people from doing what they think is right, honestly. In the end of the day, I still want to believe that everyone has a conscience and knows what’s correct…

But I am not going to cross my arms and sit. Some friends and I decided to create our own group, called LibrePlanet São Paulo (link in pt_br), and focus on the real important thing: Free Software. I really hope we can make a difference with our local community, and we have started with the right foot already: we organized the Document Freedom Day in our city this year!

As for Fedora, as I said, I still intend to continue contributing to it. I’m still subscribed to the fedora-devel mailing list, and I still follow the project’s decisions, partly because it is part of my job, partly because I strongly believe you have to give back what you take for free – as in freedom – from the community. I also have some DVDs and I intend to distribute them. But my time as a Fedora Ambassador is coming to an end. It was a good experience, I met good people, had a great time doing talks and presentations, and most of all, did what I felt right at the right time.

So, as Douglas Adams said, “…thanks for all the fish!”.