Fazendo a Diferença

Deu saudade de escrever em português :-). E deu saudade, também, de fazer algum post mais “filosófico”.

Não sei dizer o porquê, mas às vezes tenho uma mania besta: gosto de ficar procurando “sarna pra me coçar”. Em outras palavras, eu fico procurando coisas que me deixam mal, mesmo sabendo que vou ficar mal depois de vê-las.

Não tenho explicação pra esse comportamento. É algo meio sabotador, meio sofredor, meio… Não sei. Às vezes, quando me vejo novamente nesse ciclo vicioso, consigo parar. No entanto, na maioria das vezes, eu entro num estado estranho: é como se eu estivesse me observando, estudando quais consequências aquele ato traz para mim. Fico me perguntando se sou a única pessoa desse mundo que faz isso…

Acho que um exemplo bom desse tipo de comportamento é o que tenho feito ultimamente. Às vezes, por algum motivo que me é estranho, leio coisas ruins escritas por pessoas extremamente insensatas. E, talvez pelo mesmo motivo misterioso, eu fico mal com o que leio, mesmo sabendo que, colocando na balança o que essas pessoas fazem e o que eu faço, a diferença é gigantesca. Então por que raios eu fico mal quando leio as besteiras que são praticamente vomitadas por essas pessoas?

Talvez algumas pessoas (eu incluso) tenham um radar pra sentimentos fortes. Por exemplo, um gesto de altruísmo é algo que consegue tocar o fundo da alma, e merece ser apreciado como um vinho raro. Mas, em contrapartida, uma expressão de raiva, desprezo ou incompreensão também capta a atenção de uma forma quase inevitável. O mistério que esse gesto, muitas vezes incoerente, esconde é algo que me deixa quase aficcionado, como se eu estivesse lendo um livro e não quisesse parar antes de chegar no final. Por que uma pessoa se coloca num papel por vezes ridículo, apenas por conta de uma opinião? Por que essa pessoa, na ânsia de criticar um comportamento, um pensamento, ou uma ideologia, muitas vezes exibe exatamente as mesmas características que repudia? O que faz um ser humano, cheio de falhas e limitações, subir num (muitas vezes falso) pedestal e esquecer que já esteve lá embaixo?

Felizmente, as questões acima, por mais intrigantes que sejam, não têm me prendido por muito tempo. Acho que, nesse processo de aprendizagem a que chamamos de “vida”, estou num ponto em que percebo claramente o caos que reina na cabeça dessas pessoas, e tento me afastar dele. Mas, mais importante que isso, acho que me dou conta de você pode escolher ser a mudança que quer ver no mundo (Gandhi), ou ficar ladrando enquanto a caravana passa… E eu definitivamente não quero perder meu tempo comparando códigos pra dizer quem é melhor.