A era da mediocridade

Eles escrevem em paredes. Mas são digitais, dentro de muros ainda mais altos, controlados por uma ou mais empresas, tendo a ilusão de ótica de estarem se organizando por um bem maior, quando na verdade não passam de fantoches. Seja bem vindo ao planeta Terra, ano de 2013, século XXI. Vou falar um pouco sobre o que está acontecendo nesta realidade em que, fortuitamente ou não, estou inserido – mesmo sem participar.

Este post não pretende ser nada além de um post. Não vai ter links, referências, nem nada. É só uma descarga mental.

Eric Hobsbawm provavelmente ficaria em dúvida se decidisse lançar mais um dos seus inestimáveis livros sobre Eras, que falasse sobre esse período que a humanidade está vivendo desde idos da década de 80 ou 90. A dúvida, superficialmente, seria simples: uma palavra que definisse, talvez não de modo unívoco mas ainda assim de maneira contundente, a dita Era. No entanto, se analisássemos a questão de modo um pouco mais profundo, veríamos que as opções para a tal “palavra” seriam muitas, e muito ruins.

Hobsbawm não está mais entre nós. Mas isso não deixa a dúvida menos incômoda. Vivemos várias eras em uma só, a da mediocridade (que foi a palavra escolhida como título do post, mas apenas porque foi a primeira que me veio à mente), a era do egoísmo e do individualismo, a era do descaso, a era da burrice coletiva, a era da falta de compromisso, da falta de interesse, da falta de amor, da manipulação, da vontade de ser manipulado.

Recentemente, no Brasil, estamos vendo manifestações populares pipocando a torto e a direito. Pessoas diversificadas dentro de uma mesma classe média saem às ruas com bandeiras, hinos e muito partidarismo disfarçado. As reivindicações são muitas, de esdrúxulas a absurdas, passando pelo generalismo e falta de argumentos. O que querem esses caras pintadas, esses brasileiríssimos filhos com máscara hollywoodiana gritando frases de propagandas de televisão? Essas pessoas instruídas a colocarem expressões em hashtags em cartolinas? Esses cidadãos exemplares e sociais nas redes?

Acordar, acordar mesmo, é uma expressão muito forte. Há que se tomar cuidado com o orgulho cego que nos lança luzes fortíssimas na cara a fim de nos fazer acreditar que daqui pra frente, tudo vai ser diferente. E essa falsa certeza absolutamente irrefutável, que é cada vez maior quanto mais nos enfiamos nesses meios de comunicação dessa era em que vivemos, é perigosa como qualquer outro dogma inquestionável.

De um lado, já sabíamos há muito tempo que um governo ditatorial como o dos Estados Unidos espiava e ainda espia tudo o que lhe convém. Já sabíamos, mas mesmo assim só vejo pessoas surpresas com essa cortina de fumaça (sim, existe um motivo maior pra essa história toda vir à tona) jogada sobre nós. Parece que precisavam de um nome, e PRISM caiu bem, lembra um pouco aqueles mega computadores de livros de ficção científica, medonhas máquinas que só sabem usar números pra matar. Então agora, já que temos um bom nome, todos aqueles que antes tinham se esquecido da espionagem agora dizem que “deixou de ser teoria (da conspiração)”. Deixou? Já foi? Ou era você que não queria ver? Que se esquecia, porque convinha?

De outro, temos os rueiros, manifestantes que, imbuídos de um espírito que quer lutar por mais justiça e, consequentemente, liberdade, abusam de um Facebook (ou “face”, praqueles que possuem a síndrome de Estocolmo) para organizarem coisas, para combinarem festas, para encontrarem parceiros, para viverem (ou terem essa ilusão). Fantoches, que se colam nas mãos de uma empresa, que não querem sair, criam dependência e subserviência, e assim acham que se tornam mais brasileiros.

No centro, o nada. O vazio. A coisa-nenhuma, amiga inseparável e confidente desses tempos que vivemos. Vácuo e zero se fundem num emaranhado de matéria e anti-matéria. Nenhuma energia se cria, toda energia é consumida e transformada nessa roda-viva teatral que nos leva de volta ao começo do fim. Todos os posts são perdidos, todos os likes são pedidos, todos na rua porque hoje é mais um dia como outro qualquer e diferente de tudo o que já foi.

Quando penso no que éramos e no que nos tornamos, choro por todos os motivos conhecidos e que ainda hei de conhecer. Estamos na descida, e eu ainda não vejo o fundo do vale.